Paul Singer – Uma Utopia Militante

Didática e prática

Por Vitor Velloso

Durante o Festival É Tudo Verdade 2021

“Paul Singer – Uma Utopia Militante” de Ugo Giorgetti é um documentário que circula um personagem de grande importância na política brasileira, na educação também. O que Singer possui de relevância, carrega consigo algumas polêmicas fomentadas por contradições internas na esquerda brasileira. Sua trajetória se confunde com a movimentação política no Brasil, entre a militância e a intelectualidade que transa com o materialismo.

O filme tenta criar um pequeno panorama da importância do pensador para o Brasil e mostrar suas influências em figuras contemporâneas e políticas populares. Porém, seu didatismo surge de uma eulogia que busca em suas críticas uma forma de se pensar o país a partir dos imbróglios gerados por questões metodológicas. Segue à risca o modelo dado por uma entrevista com o protagonista, material, depoimentos de conhecidos e admiradores. Mas não consegue se distanciar muito desses retratos breves que são feitos em um modelo televisivo (seccionado por “blocos) e acaba transformando essa exposição em torno de Singer em um produto objetivo, porém pouco abrangente e com diagnósticos superficiais.

“Paul Singer – Uma Utopia Militante” possui uma estrutura que consegue agilizar seu ritmo e criar um dinamismo maior na transmissão das informações, assemelhando-se inclusive com a descrição que o autor faz do que seria o processo de educação, sempre cedendo aos imbróglios do que a produção consegue fazer com um material que é atravessado por um período histórico que chega contemporaneidade com representantes como Erundina e Suplicy. Os depoimentos de Singer, sobre o movimento operário, Lula, criação do PT etc, não possuem um grande amparo de material de arquivo que sustente uma proposta fora de esquemática mais padronizada. O resultado disso é um média metragem que circula uma personagem de suma importância, mas encontra entraves internos que poderiam ser resolvidos a partir de uma consciência formal-materialista que fomentasse o debate a partir de questões contraditórias e divergentes com os demais setores da esquerda nacional. A exaltação venceu e o debate ficou em paralelo. Uma pena, pois a trajetória do pensador abrange um bom período na história política brasileira e é capaz de gerar uma imensidão de discussões.

Essa “troca de ideias” que formaliza um processo de educação, explicita a simplicidade em torno de “Paul Singer – Uma Utopia Militante” (viabilizado por um financiamento coletivo). E como provocação não é um dos fortes de Ugo, ficamos com a introdução da introdução. A biografia e a história de suas ideias são traçadas de maneira “natural” (segundo o próprio diretor) e é um dos imbróglios que o filme não consegue solucionar ou dar luz. A sensação é que Singer foi enquadrado em um projeto que não consegue absorver as críticas que um dia fez. Nem mesmo a economia solidária.

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