O Silêncio do Rio

Assimilações e sonhos

Por Vitor Velloso

Durante o Olhar de Cinema 2020

“O Silêncio do Rio” de Francesca Canepa é um atestado de maturidade do realismo fantástico enquanto movimento estético latino-americano. Enquanto parte da cinematografia brasileira bate cabeça e se esforça em compreender o gênero como uma digressão narrativa e dramática, o filme peruano assimila os entraves da vertentes como uma força uníssona que se ergue como pilar monumental do imaginário do folclore e do realismo que nos toca. E é essa compreensão, que toca a ideia materialista enquanto concepção de linguagem, que está presente também em “Um Animal Amarelo” de Bragança, outro grau de compreensão madura do realismo fantástico enquanto força expressiva de um continente que agoniza na dependência de um capitalismo frágil, incompleto.

Não é à toa, que a dualidade dessas frentes de discurso se tocam de maneira imediata em “O Silêncio do Rio”, pois não há segregação de um momento onde o fantástico irrompe do realismo, há uma assimilação dessa forma enquanto projeto diretamente na estrutura, algo que falta muito ainda há alguns projetos que se aventuram na crista da onda sem compreender o que a fez.

Mas nem tudo são flores, a ideia do curta-metragem parece travada por uma minutagem ou montagem que não completa um ciclo que é apresentado, torna-se um ponto deslocado da própria construção, pois parece acelerar sua narrativa para que caiba em um tempo distribuível nos festivais de cinema. O resultado é esse arco que não se fecha por inteiro, é mambembe, mas consegue captar a essência dessas realidades e fantasias através do material que possui, aliado à concepção de sonho, algo tão caro aos países subdesenvolvidos,

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