O cinema caligráficoUm Cinema Caligráfico

O “lado B” de cada um

Por Chris Raphael

Semana Cavídeo 2019

 

Na visão de Sylvio Lanna, “o cinema é uma caneta para alfabetização da humanidade”. Saindo da zona de conforto do entretenimento e alçando vôos mais altos, o cinema, que é uma invenção a serviço de humanidade, mantém-se evoluindo com o passar do tempo, em movimento constante e deve alcançar status de instrumento de mudança e aprimoramento social.

Sylvio Lanna, que é um diretor  mineiro, assina o roteiro e também a direção do curta-metragem “O cinema caligráfico”, de 2019. A película conta com a narração de Otavio Terceiro e a produção executiva de Cavi Borges. Seguindo na contramão da cultura, expondo verdades como bandeiras desfraldadas, o diretor mineiro tenta nos apontar uma direção, liderada pelo “lado B”  que reside dentro de cada um. Sim, porque todos possuem um lado alternativo, diferenciado, experimental, ainda que latente.

É lá que moram as insidiosas ideias e os (esquecidos?) ideais, que podem nos colocar em rota de colisão com valores sociais convencionais e muitas vezes preconceituosos. As contestações aos valores morais e estéticos da sociedade integraram o movimento da Contracultura, no início dos anos 60.  Se avolumaram de maneira global, mas nos dias de hoje, aparentemente aquietaram-se. É bom rever, nas imagens de filmes antigos, a figura de Wilson Grey e Moreira da Silva.

No intuito de sacudir a poeira mental e apresentar um novo olhar sobre tudo, tentando forjar uma nova malha de ser humano, quem sabe mais atento ao próximo, mais empático, mais sensível às questões ambientais, alguns artistas visionários já perceberam o quanto a tecnologia que nos aproxima nos dias de hoje, também nos mantém afastados de nós mesmos. Empunhamos smartphones e nos tornamos diariamente presentes para todos em todos os lugares. Talvez seja esse longo tempo para absorver positivamente a invenção que Sylvio Lanna nos fala em “O cinema caligráfico”. Lentamente, pausadamente, pacientemente, um dia chegaremos lá.

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