Não te amo mais ​

Um labirinto místico?

Por Vitor Velloso

Durante o Cine Ceará 2020

A culpabilidade pela adoração à pilares do capitalismo e sua resolução em opressões estruturais. “Não te amo mais” de Yasmin Gomes é um compilado de relatos da eterna dicotomia entre o amor e ódio à São Paulo, o monumento financeiro, o centro do capitalismo brasileiro dependente. Mas é também um retrato de como a burguesia impôs sua cinematografia de fala-mansa à toda uma estrutura da sociedade, tornando tudo um objeto de reacionarismos constantes. E aqui não cabe a palavra da moda: perene.

É a particularidade do reacionarismo advindo da burguesia intelectual, suas discussões internas e os demônios que assombram suas liberdades. É a transformação do espaço em prosa classicista, alienando o debate material dos próprios relatos. Homologação formal, discursiva e da prosa burguesa, uma continuação espiritual de não #existeamoremsp.

“Não te amo mais”, exibido no Cine Ceará 2020, ignora a estrutura da relação-tema da própria obra, torna-se consensual e está às bases do capital, de pé a aplaudir as diferentes perspectivas da “paisagem” da cidade. A ponte Nordeste-São Paulo possuem costuras culturais que não se encontram nem na superfície. Lispector e Bukowski parece que caminham juntos nesse balaio da burguesia. E São Paulo é uma cidade de muitas verves, é verdade, mas esse barato tá vencido.

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