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Mostra de Tiradentes 2026: Nossas Expectativas

 

Mostra de Tiradentes 2026

Mostra de Tiradentes 2026: Nossas Expectativas

O evento mineiro mais importante do audiovisual brasileiro, que completa 29 edições, acontece de 23 a 31 de janeiro, com programação gratuita

Por Francisco Carbone

A 29a. Mostra de Cinema de Tiradentes começa em um mês, e as expectativas, para quem a frequenta há quase 10 anos, são sempre elevadas. Tiradentes, no circuito de festivais nacionais, não tem apenas um grau de importância cada vez mais relevante, como também é uma experiência única em ao menos um aspecto. Diferente de 99% dos outros eventos que celebram o cinema brasileiro, o festival que acontece tradicionalmente no final de janeiro privilegia o novo olhar para a realização, que pede para ser descoberta. Existe uma vontade de diálogo com os novos realizadores, com a experimentação de linguagem, com o risco dentro da tela – para as narrativas mais desafiadoras – e também fora dela – com os debates angariados por essas obras e suas visões que a convocam.

Organizado pela Universo Produção (que ocupa Minas Gerais – numa “santíssima trindade da sétima arte” – também com a Cine OP e a Cine BH), a Mostra de Tiradentes, dos seus três eventos, é a que mais aposta na força de vitrine de lançamentos, tanto das obras que muitas vezes definirão os rumos do “próximo cinema brasileiro”, como dos diretores que serão as vozes por trás desse futuro. Acontecendo esse ano entre os dias 23 e 31 de janeiro, a cidade histórica recebe uma quantidade inacreditável de visitantes que se empenham em conhecê-la, assistir a uma gama de mais de 100 filmes, prestigiar e ser prestigiado pelo evento, e realizar a cobertura mais ampla possível – no caso dos profissionais de imprensa.

Graças a Tiradentes, nomes hoje consagrados tiveram seus primeiros raios de luz por lá, como Bruno Safadi (“Meu Nome é Dindi“), Adirley Queirós (“A Cidade é uma Só?”), Pedro Diógenes, Guto Parente, Ricardo e Luiz Pretti (“Estrada para Ythaca“), Juliana Antunes (“Baronesa“), Maria Clara Escobar (“Os Dias com Ele”), Afonso Uchoa (“A Vizinhança do Tigre“), Allan Ribeiro (“Mais do que Eu Possa me Reconhecer“), todos vencedores da mostra Aurora; vejam que os principais nomes do cinema de autor no Brasil hoje encontram-se nessa lista.

Por si só, essa acaba sendo uma vitrine não apenas para novos autores do cinema de fora do eixo normativo, como também um refúgio aos cineastas já com rodagem garantida, que podem carregar suas obras para lá. Ano passado, por exemplo, Rodrigo Aragão (“Prédio Vazio“), Sérgio Silva (“Nem Deus é tão Justo quanto Seus Jeans“), Tavinho Teixeira (“Batguano Returns“), além dos mestres Julio Bressane (“Relâmpagos de Críticas, Murmúrios de Metafísicas”) e Guilherme de Almeida Prado (“Odradek”) cujas presenças foram celebradas.

Além disso, há alguns anos que a mostra conta com uma sessão dedicada a filmes em diferentes estágios de pós-produção para apreciação de curadoria internacional, dentro do Brasil Cinemundi, que é sua iniciativa ligada ao mercado de co-produções e que em 2025 contou com a presença de dois filmes exibidos em outros eventos posteriormente, consagrando-se, como “Morte e Vida Madalena”, de Guto Parente, e “A Voz de Deus”, de Miguel Antunes Ramos.

Ou seja, como podemos constatar constantemente, a Mostra de Tiradentes é uma vitrine regular da promoção e difusão do melhor que o cinema de invenção pode trazer ao país, colocando-a como uma semente constantemente ativa de novas ideias e propostas. Existe um senso coletivo de apresentação de um olhar menos engessado acerca do que está sendo produzido no país, além de manter-se vivo e atento para novas percepções, através de debates que não raramente se enchem do calor do momento. Essa é uma das principais características da mostra: colocar um espelho na frente do tempo para refletir uma voz do momento, ou ainda prever a discussão acalorada que outros festivais só terão em um futuro breve. Ou seja, a Mostra de Tiradentes também se ergue enquanto vitrine de pensamentos do amanhã.

Em um mês, abriremos a caixa de Pandora preparada pela curadoria da Mostra de Tiradentes para a edição deste ano, e como o mito grego comenta, não poderemos mais ficar indiferentes à conversa que será encampada naquele pedaço de Minas Gerais, e dali para o audiovisual do Brasil em tempos posteriores.

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