Expectativas da Mostra de Tiradentes 2019
Por Vitor Velloso
A 22ª Mostra de Tiradentes está se aproximando. Sempre antecipando a temporada de festivais pelo Brasil, a Mostra possui uma função única no calendário do cinema, apresentar 2019 ao mercado. 108 filmes compõem a programação dos nove dias. A temática deste ano, Corpos Adiante, é uma digressão no cenário político atual, uma resposta. Elevando o espírito daquilo que torna o ator político, subjugando o moralismo à resposta precoce à visceralidade do corpo. Não por acaso, a homenageada é Grace Passô, que não apenas destacou-se como uma das maiores atrizes de sua geração, como também uma força de reação, na arte, a tudo aquilo que ela representa enquanto corpo artístico e político, uma mulher negra. E a palavra adiante, nas palavras de Cleber Eduardo “Adiante também é o futuro imediato. Logo ali à frente”. Sua frase me remete a um verso do rapper Djonga “Não queremos ser o futuro, somos o presente”, se referindo aos negros.
E para sacramentar toda a discussão estético e política, sempre inseparáveis no fazer artístico, o longa que abrirá a Mostra é Vaga Carne, dirigido por Ricardo Alves Jr. e Grace Passô. As expectativas são altas, aliás, ter a oportunidade de ver a visão artística de Passô na tela grande, conduzida por ela, será… lindo. Complementando o tema, a programação está representada por diversas performances durante os dias.
Contando ainda com a Mostra Homenagem, “Elon não Acredita na Morte” será exibido, o bom filme de Ricardo Alves Jr. possui uma ousadia misancenica que reflete muito bem a temática do ano. E com exibição de “Temporada” de André Novais Oliveira, a Homenagem promete ser um dos pontos fortes da programação. O curioso “Ilha” de Ary Rosa e Glenda Nicácio também será exibido. E para fechar o dia 19, “Grão da Imagem” com a presença de Grace Passô e Barulhista irá contemplar o público com uma visceralidade própria dos artistas.
“DPA 2 – O Mistério Italiano” na Mostrinha, destinado a garotada. O aguardadíssimo “Traga-me a cabeça de Carmem M.” de Felipe Bragança e Catarina Wallenstein, vai nos dar novos rumos ao cinema experimental brasileiro. O incrível “Clementina” será exibido na Mostra Praça, a fim de dar ao público a dimensão e a grandeza desta imensa mulher. E “Inferninho” que não tive a oportunidade de ver no Festival do Rio, irá fechar o dia 20 com força e resistência na tela. “Superpina” de Jean Santos promete revelar uma vertente pouca explorada na filmografia brasileira. “Seus ossos e seus olhos” de Caetano Gotardo, chega em pré-estréia mundial, já aguardado, arrebatando o Cine-Tenda.
“Bimi, Shu Ikaya” dirigido por Isaka Huni Kuin, Siã Huni Kuin e Zezinho Yube, se revela um potência política e me instigou quanto ao cenário político atual. O experimental “Trágicas” dirigido por Aída Marques e “Tremor Iê” de Elena Meirelles e Lívia de Paiva criam uma dobradinha nacional que dará gosto de se acompanhar. O documentário “Currais” de David Aguiar e Sabina Colares para resgatar uma memória desconhecida por muitos. “A Rainha Nzinga Chegou”, “Parque Oeste” e “Alma da Cidade” irão complementar os documentários exibidos durante o festival.
“Corpo Quilombo” de Leonel Costa nos apresenta uma misancene audaciosa e resistente. “Depois da Farsa” e “Sonâmbulos” já vem com força no meio. “Bando, Um filme de:” de Thiago Gomes e Lázaro Ramos chega com a força da pele negra no Teatro.
Além de Shows, Debates e Lançamentos de Livros a Mostra conta com uma ampla exibição de curtas que serão contemplados pelo público.
A cobertura do Vertentes do Cinema será diária e com textos individuais para longas, coletivos para curtas e contará com um balanço geral de cada dia. Além disso, a cobertura audiovisual contemplará entrevistas e coberturas. Fique ligado no site para saber tudo sobre a 22ª Mostra de Tiradentes.
Até lá!