Lambada estranha

Sintoma e culpados

Por Vitor Velloso

Durante a Mostra Tiradentes SP 2021

Definir “Lambada Estranha” de Luisa Marques e Darks Miranda é um desafio particular. Qual a divagação possível para que a elite intelectual possa discorrer sobre anseios e medos na estética nacional? Aliás, existem responsáveis por obras tão sintomáticas como a estética da inocuidade e o estoicismo vulgarizado? Alguns nomes surgem a mente, entre a eterna vangloriação desse esgarçamento do que seria o “fim da autoria” com a “morte da mise-en-scène” e por aí vai. 

São algumas frentes de debate que surgiram com o tempo e fomentam uma decadência profunda da estética nacional, não pela discussão, mas pelo tom da mesma. O processo é frágil, excessivamente vazio e recorre aos determinismos categorizados e academicistas para defender-se de qualquer engessamento. É o platô intelectual da burguesia que não encontra representações que suscitam o espírito de uma brasilidade forjada, do contrário, há o investimento absoluto nessa composição forçada de um desmoronamento de “pilares tradicionais” da cultura. 

“Lambada Estranha” é quase a reprodução automática de um sintoma antigo, com pouca criatividade, aliás, é uma reivindicação não? Para o espectador desajeitado que vier se aventurar nessa eternidade insuportável, terá tudo aquilo que o título nos comunica. Com um apocalipse de pixels e lambada em uma piscina vazia, alguns planos distintos, mas em geral a tônica é dançar, vislumbrar o universo e os corpos em movimento. É o filme-fórmula para aparecer em algumas revistas de cinema.

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