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Extratos

Luz própria em curadoria especial

Por Fabricio Duque

Extratos são passagens, trechos tirado de um texto. Neste caso, um filme extraído do outro. Um resumo sublinhado. “Extratos” (2019), mais recente curta-metragem de Sinai Sganzerla, ganha vida a “resgatar” com curadoria fragmentos de seu longa-metragem “A Mulher da Luz Própria”, sobre a musa, a artista e a mãe Helena Ignez. Exibido na Recine Online 2020 – Mostra Brasileira de Cinema de Arquivo, em Sessão no Vertentes do Cinema, o filme integra a mostra competitiva da 48a edição do Festival de Gramado, em exibição no Canal Brasil.

“Extratos” é uma experiência. De liberdade nostálgica. De imagem saudosista. De ruídos da memória que encontram a verdade dos frames. Vidas que precisaram buscar refúgio no exterior (o sobreviver) para conservar a essência do interior (o sentir). São aventuras narradas por películas que soam como uma epifania etérea, quase de ficção distante quase não mais possível. O que vemos é um hippie-movie. Liberdades ao vento e perigos no deserto. Com ou sem tentações.

É um curta-metragem de perpetua em tela a memória audiovisual. A história em sua força e importância. Sinai “recebe” um presente nas mãos: a própria personagem (que junto com Rogério Sganzerla, o pai, produziu esses tesouros analógicos), que por sua vez é sua mãe, parte integrante de sua vida. Ao desnudar Helena com convicções e confissões, a filha consegue traduzir a alma da nossa própria tupiniquim cinematografia. Nós somos envolvidos em uma aura-espectro, como se fosse uma chave a um portal tridimensional de revisitar a sinestesia de uma época, de 1970 até 1972 nas cidades do Rio de Janeiro, Salvador, Londres, Marrakech, Rabat e a região do deserto do Saara, principalmente pela montagem irretocável e de ritmo temporal de Claudio Tamella e e da própria diretora Sinai Sganzerla (de “O Desmonte do Monte”).

Mas qual o motivo do desmembramento das imagens? A diretora nos conta que foi por um convite. Se “A Mulher da Luz Própria” já nasceu clássico e obra-prima, imagina esse com uma especial curadoria de “Extratos”… Pois é, a conclusão não poderia ser mais de corroboração: um documento que subverte o nosso próprio olhar ao presenciar a origem da filmagem dos instantes tão pessoais e tão históricos.

 

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