Alejandro Andujar

Entrevistamos o diretor Alejandro Andújar de “O Homem Que Cuida”

O Vertentes do Cinema conversou na tarde desta terça-feira, dia 01 de outubro, com Alejandro Andújar, o diretor de “O Homem que Cuida”, co-produção da República Dominicana, Porto Rico e Brasil. O filme conta a história de Juan, caseiro da mansão de Don Víctor, que está viajando. Ele tenta mergulhar nesse trabalho para esquecer uma vida sem perspectiva e tentar superar o fim do relacionamento com María, que o deixou após engravidar de outro homem. Contudo, ele terá que conviver por alguns dias com Rich, filho do dono da casa, que aproveitam da casa na ausência do pai. Ele leva consigo outros jovens, que ampliarão as tensões de classe existente entre Juan e Rich.

Andújar está no país para as duas pré-estreias do filme, que acontecem no Rio de Janeiro e em São Paulo. Em seu primeiro trabalho como diretor, o experiente roteirista falou um pouco de sua trajetória pela Sétima Arte. Iniciou narrando a importância de sua formação na Escola Internacional de Cinema em San António dos Baños, em Cuba. Ele foi estudar em outro país em virtude da falta de ofertas dessa formação na República Dominicana. Seu período em solo cubano foi fundamental para adquirisse não só conhecimento técnico, mas para incutir um viés mais social que o acompanharia na carreira. Lá ele também cunhou parcerias com pessoas de outras nacionalidades que rendem frutos até hoje.

Ele também organiza o Festival Internacional de Documentários da República Dominicana, que nos últimos anos foi responsável por esse intercâmbio cultural em uma maneira de fazer cinema ainda pouco explorada no país. Sobre o cenário do cinema dominicano, o cineasta mencionou a importância da “ley del cine”, promulgada em 2011 na República Dominicana. A regulamentação da atividade aliada ao market share das produções do país na faixa de 35% tem fomentado a indústria local.

Porém, Andújar chama a atenção para a necessidade constante de parceiras em co-produções com outros países. Apenas com essa política foi possível o lançamento de mais de trinta filmes, em média, nos últimos anos. A popularidade do cinema local se concentra nas comédias, com filmes que chegam a 500 mil espectadores, um fenômeno se imaginarmos que o país possui menos de onze milhões de habitantes. Mesmo assim, as dificuldades econômicas como reflexo do tamanho do país tornam quase inviável uma auto suficiência na produção cinematográfica.

Andújar lembra das incertezas de novas parcerias com o Brasil, por conta da situação política que afeta a Ancine nos últimos anos. Ele lembra que essa dificuldade não é exclusividade nossa, já que há uma tendência de retração em toda a América Latina. À exceção é o cinema colombiano, que de acordo com o diretor segue em franca ascensão e com possibilidades de ampliação do mercado.

Voltando ao mercado dominicano, é justamente na área da comédia que Alejandro desenvolveu boa parte de seus trabalhos como roteirista. Mas o filme “O Homem que Cuida” não guarda qualquer relação com o gênero. Contando a história de Juan, jovem vivido por Héctor Aníbal, que trabalha de caseiro em uma mansão à beira da praia, o longa-metragem propõe alguns debates sobre relações de classe, gênero e cor. Ao ser perguntado pelo Vertentes como foi o trabalho de desenvolvimento da atuação de Aníbal, Alejandro Andújar contou uma curiosa nota de produção.

Quase todo filmado em uma luxuosa casa, o cineasta falou que, ao final do dia, toda a equipe voltava para o local onde estavam hospedados, mas Héctor permanecia na casa durante a noite, tendo a companhia apenas do caseiro, “o homem que cuida” na vida real da mansão. Uma espécie de laboratório feito em paralelo à gravação do filme. Assim, o tema principal do longa-metragem, que de acordo com o cineasta é o conformismo de uma geração sem perspectiva representada de Juan, pode ser melhor trabalhado.

Na entrevista lembramos também dos créditos divididos no roteiro com Amelia del Mar Hernandéz. Alejandro confirmou a importância desse outro olhar na maneira como as personagens femininas são representadas, já que a República Dominicana ainda se revela um país de cultura patriarcal e de atitudes machistas. Isso trouxe mais fidelidade às abordagens, evitando que essa ponta da trama se mostrasse superficial.

Por fim, Alejandro Andújar foi questionado sobre a forma como ele imaginava que o espectador brasileiro pudesse receber “O Homem que Cuida”. Ele aposta na unversalidade dos temas e da proximidade dos ambientes onde se passa a história com a realidade brasileira. O diretor chama a atenção como a bela mansão em Palmar de Ocoa e os personagens que por ela transitam guarda relação com cidades litorâneas e de veraneio de nosso país.

Não deixe de aproveitar essa rara oportunidade de assistir nos cinemas um filme da República Dominicana. “O Homem que Cuida” estréia nos cinemas brasileiros na quinta-feira, dia 3 de outubro. O Vertentes do Cinema já conferiu a crítica dessa produção que você pode conferir clicando aqui.

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