Do Pó ao Pó

Edifício de classes

Por Vitor Velloso

Durante o CineBH 2020

“Do Pó ao Pó” de Beatriz Saldanha, é um curta-metragem sobre o cotidiano e suas recorrências fatalistas. É a decadência existencialista de uma burguesia fálica e ideologicamente fragilizada pelo processo homogeneizador que ajudou a promover. Uma espécie de manifesto contundente de representações monumentais de como essa política pragmática de retratos sintéticos do cotidiano entre o vinil, o ato de lavar a mão, masturbação (aqui, intelectual e formal) é a institucionalização de uma classe fragmentada que recorre aos simbolismos em p&b, sangue, “sincericídio” de como a prática de produção de auto representação reformula às bases de uma unidade que se vê perdida pelo grau de secção promulgado pelos dogmas católicos, algo explícito no título.

Dissolução de matéria, urgência e desespero de quem proclama a morte como rotina de isolamento. Terra e sangue dividem a lavagem constante de representações finalizadas com o enterro sombrio de máscaras e uma marcha de glória e classe na mesma posição. Os templos humanos se tornaram a delírio coletivo das risadas virtuais. Estamos fadados ao que Jairo cheirou e preconizou em internação compulsória do trás à frente, perguntando se Godard passou fome, uns responderam em atravessamento, outros, vinil.

“Do Pó ao Pó” infelizmente é frágil até na construção da representação prosaica do fatalismo existencialista burguês.

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