De Costas pro Rio

O progresso estancado

Por Vitor Velloso

Durante a Mostra de Tiradentes 2021

Os ceifadores da brasilidade estão se amontoando e buscando maneiras de transformar tradicionalismos e cultura em “fantasmas do passado”. “De Costas pro Rio” de Felipe Aufiero é um curta que compreende os males do avanço neoliberal na História do Brasil, onde o imperialismo estrutura as bases de um capitalismo dependente e o subdesenvolvimento se torna um imbróglio do terceyro mundo, implodindo em crenças e refregas de todas as naturezas. 

Não à toa, a imagem disputa a sincronicidade, a organização, existe um caos instaurado que não cessa diante de uma proposta narrativa, entre o ensaio e a realidade. Essa edição da Mostra Foco é um caso explícito de como as bases categóricas vão se diluindo e o documentário perde o sentido junto à ficção. É o cinema material diante do espectador que ganha vida, seja em digressão, transgressão ou na própria assimilação de medos. Onde o fantástico já não convive com o real, é a investida diante das tentativas de homologação cultural. Enquanto a Xuxa não matar o Curupira, há Brasil. Mas o delírio do desespero diante do apagamento generalizado da História, a fim da sociedade de consumo erguer sua verticalidade, consome o brasileiro até o estancamento, em vida e imagem em movimento. Um choro que se confunde no sorriso. “De Costas pro Rio” pode possuir limitações, mas é honesto e consciente de uma forma que raramente vemos.

Trailer

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *