Por Fabricio Duque
Direto do Festival de Cannes 2015
Realizada inicialmente em 18/05/2015 e 
complementada em 06/04/2016

“Mais Forte Que Bombas – Louder Than Bombs”, novo filme de Joachim Trier (de “Oslo, 31de Agosto“), comporta-se como uma “colagem” referencial da técnica, narrativa, temática e atmosfera de outros filmes, como por exemplo “Elefante”, de Gus van Sant; “Homens, Mulheres e Filhos”, de Jason Reitman; “Mil Vezes Boa Noite”, com Juliette Binoche, sendo mais um exercício estilístico, quase um trabalho de conclusão de curso de cinema (de recorrentes tentativas e erros como auto-afirmação) que procura “abraçar” a essência caraterística do Festival de Sundance como uma máxima indicativa-condutória. Não é ruim por completo, mas também está longe de ser ótimo. Fica no limbo, em um equilíbrio perdido, tentando agregar “esquetes” que buscam uma conectividade com a história. Infelizmente, até mesmo a “musa” Isabelle Huppert (sempre excelente), aqui está “deslocada”, corroborando uma preguiça pretensiosa de sua direção e atestando por “a mais b” que o diretor deve ter esquecido da expressão “menos é mais”. A narrativa teatral (apresentada por elipses – narrada por memórias subjetivas), estrelada pelo ator-protagonista de “A Rede Social”, Jesse Eisenberg (ator queridinho do momento, que também pode ser visto em “Batman versus Superman” e no novo filme de Woody Allen, “Café Society”), conta a história de uma fotógrafa de guerra, a atriz Isabelle Huppert, que dá preferência a seu trabalho e deixa sua família de lado. “O público não gosta de assistir filmes longos na exibição”, diz-se. O filme busca captar um cotidiano espontâneo, fornecendo elementos de “conservação” do passado, quase como uma nostálgica “fuga” e medo de se seguir em frente. Mas o alto grau sentimental impede que a história transpasse naturalidade, entre sonhos dentro de sonhos, bruscas reviravoltas, gatilhos comuns de idas e vindas, flashbacks, possibilidades projetadas, epifania ilusória, conversas  “definidoras” de terapia familiar até mesmo por um “violento” jogo, outras versões das mesmas ações-tragédias. Não falta nada. Deseja-se instigar o não óbvio, contudo, o que se consegue é potencializar o clichê de não querer ser clichê (intercalando fotos; e ou capítulos com fades; e ou o outro ler o artigo de uma personagem no jornal). É comum, ainda que pelo meio de “descobrir verdades” (crítica à criação dos pais – que deixam seus filhos “soltos”); de picardias à moda “Billy Elliot”, de Stephen Daldry; música anos oitenta; vídeos de internet; passado e presente. Tudo é artificial e forçado (“Estranho, mas são maduros”), e tenta realmente acreditar que o drama precisa ser mais suavizado pelo tom da interpretação. Como já foi dito, não é ruim, mas é demais. A Sinopse nos conta que anos após a morte da mãe (Isabelle Huppert) em um acidente de carro, Jonah (Jesse Eisenberg) volta para casa para uma retrospectiva de seu premiado trabalho como fotógrafa de guerra e reencontra o pai (Gabriel Byrne) e o irmão caçula (Devin Druid) ainda abalados pelo trauma. Com mágoas não superadas, os três buscam uma conexão através das lembranças completamente diferentes que têm da mulher. 

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