Crítica: Dragon Ball Super Broly

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Músculos, socos e mediocridades em excesso

Por Vitor Velloso


Dragon Ball, apresentou uma geração ao mundo oriental, foi um dos desenhos mais importantes da década de 90. E durante todo esse sucesso astronômico, filmes foram sendo lançados a fim de impulsionar este universo e render mais alguns milhões. Porém, o cânone de toda essa narrativa é nebuloso, já que muitos longas eram completamente deslocados da narrativa original, além de não possuir impacto na cronologia da série em andamento. Após Dragon Ball Super ser lançado, um novo projeto de filmes foi colocado em prática, agora, buscando canonizar todos os acontecimentos.

Dirigido por Tatsuya Nagamine, que já fez algum sucesso com longas do One Piece, “Dragon Ball Super: Broly” estreia nos cinemas prometendo recontar a história de um dos personagens mais icônicos do título, Broly. O diretor tenta compreender o que seria o “novo passo da evolução dos Sayajins”, a raça dos protagonistas. A releitura que propõe é bastante próxima do filme de 93, estruturalmente e, em partes, psicologicamente. Acaba optando por diluir diversas questões mais violentas do roteiro original, dividindo a “brutalidade” com outros personagens, como o insuportável Freeza.

O direcionamento que Nagamine propõe, é visualmente interessante, ele opta por uma dimensão ainda mais colossal que o comum e busca ser mais agressivo esteticamente. Em vários momentos a velocidade e a potência de uma batalha é quase incompreensível, vemos luzes e movimentos extremamente acelerados atravessarem a tela, sem uma misancene didática, o que proporciona uma experiência curiosa, já que se na série sempre vimos um compasso dramático assustadoramente lento, com pausas drásticas em batalhas, para um diálogo acentuado. O ritmo arrastado se mantém, mas apenas a fim de justificar algo no roteiro. Infelizmente, esta justificativa toma, pelo menos, 60% do tempo. O que gera um terceiro ato super longo, com batalha desenfreada, é apenas o que se lembra de toda a projeção. Formalmente, é o mais proveitoso da extensa filmografia de Dragon Ball, pois se arrisca em compor um desenho menos lúcido de toda a dimensão das batalhas. Ao mesmo tempo, evita se distanciar do que fez o título tão famoso, logo, repete a fórmula na maior parte do tempo.

Tedioso em sua maioria, “Dragon Ball Super: Broly” não consegue cativar a audiência, muito menos encantar com os personagens que já encantaram um dia. Possivelmente irá levar um bocado de gente ao cinema, pela nostalgia, mas não garanto um grande sucesso. Lembro-me da infância onde assistia com afinco ao desenho, horas e horas parado em frente à televisão vendo personagens monstruosos, conversando por três episódios seguidos, em meio à um campo de batalha. Sagas de cinquenta episódios para derrotar um personagem. Era diversão garantida. Porém, como muitas coisas na vida, com o passar dos anos, tentamos retornar e… não dá. O público alvo é bastante específico. Admiro o estúdio de buscar novos fãs, já que viram inúmeros novos projetos ultrapassarem. Inclusive One Piece. Lembro-me de certo tempo atrás, onde uma pesquisa foi realizada, buscando saber qual seria o melhor anime de todos os tempos, Dragon Ball ficou atrás até mesmo de Naruto. E para que cresceu com ele, é quase inconcebível aceitar.

Então, o novo filme, não é uma tragédia completa, possui boas intenções e consegue até feitos formais, porém, não consegue segurar pontas dramáticas, nem mesmo manter suas ambições minimamente formalistas. Tensionar qualquer recurso estético “ousado” em longa como esse, seria interessante, porém, vê-se que os sonhos do estúdio freiam nos números, o que devo ressaltar, não afetou de maneira tão grave a Marvel em “Aranhaverso”.

Prender-se num ciclo de mediocridade formulaica é algo que estamos acostumados a ver em Hollywood e no cinema independente, muitas vezes nas animações também, mas eu esperava um pouco mais de coragem depois de tantos anos, mas aparentemente a esperança não morre só no Brasil. O fã que um dia fui, sentou no cinema aguardando, ao menos, diversão, mas como em “Star Wars: Os últimos Jedi”, o clímax é uma auto-masturbação que espera os últimos quinze minutos para gritar “Você queria isso né?”, porém, o grito deveria ter sido maior, pois, metade da sessão estava dormindo.

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