Crítica: The Bling Ring – A Gangue de Hollywood

Por Fabricio Duque

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Sofia Coppola, A Poderosa Chefona

Por Fabricio Duque

“The Bling Ring – A Gangue de Hollywood” configura-se como o filme mais recente da diretora americana Sofia Coppola (filha de Francis Ford). Por incrível que pareça, na possibilidade mais remota do Vertentes do Cinema participar da Cerimônia de Abertura de Un Certain Regard, o “milagre” Festival de Cannes de ser mostra seu lado acolhedor. O evento pode-se ser conferido no vídeo abaixo (e na
íntegra editada). O nosso site corrobora a “impressão-pílula” que escrevemos em Cannes: “o filme é fantástico, delicioso e viciante no olhar, e na melhor crítica ao mundo de hoje, nós torcemos pela amoralidade” e agora aprofundaremos com análises técnicas, narrativas e curiosidades afins.

Sempre há expectativa em um novo “Sofia Coppola”, cineasta que já ganhou status de Cult e autoral (quase um gênero próprio e único).  Observando sua filmografia, constataremos altos e baixos nas opiniões da crítica e do público. É assim mesmo. O adjetivo mais empregado é incômodo, como se o novo e o diferente fossem elementos de retração. Sofia imprime a realidade lúdica (quase crua) mesclada com a personificação dos sentimentos vividos por seus personagens. O espectador sente a tristeza, o vazio, o tédio, a hipocrisia, a ditadura midiática, a futilidade e a inversão de valores familiares. É sinestésico. A diretora é sádica e sabe muito bem “torturar” (da melhor forma possível) seu público. Abordou o suicídio em “As Virgens Suicidas”, a solidão compartilhada em “Encontros e Desencontros”, a versão pop do passado em “Maria Antonieta”, o tédio fútil da fama em “Um Lugar Qualquer” e agora, em “The Bling Ring – A Gangue de Hollywood”, critica o mundo da moda pela alienação comportamental dos jovens, que se apresentam como zumbis viciados, obrigados a ser o que precisam ser por alguns cliques virtuais de popularidade.

A história conta as ações ilegais de jovens que assaltavam casas de luxo de celebridades e roubavam artigos de luxo, como o último modelo de sapato. No dia seguinte, ainda no Festival de Cannes, a vida imitou a arte ou vice-versa. Aconteceu o roubo milionário de joias avaliadas em US$ 1,4 milhão do cofre do quarto do Hotel Novotel, alugado pela joalheria de luxo Chopard, um dos patrocinadores do
festival. Sofia querendo ou não, conseguiu publicidade (de humor negro, lógico) gratuita e pertinente. Não, não acreditamos, em hipótese alguma, ter sido a equipe de produção do filme. “Minha ideia era enfrentar a superexposição nesta cultura de redes sociais”, disse Sofia Coppola na coletiva de imprensa, badaladíssima. A base do filme foi a reportagem ” The suspects wore louboutins” da jornalista Nancy Jo Sales, publicada na ” Vanity Fair” em 2010. Até a “socialite riquinha”, Paris Hilton, uma das “atacadas” pela gangue, cedeu a casa como locação. “Devo admitir, que a casa de Paris foi um dos lugares mais estranhos em que eu estive”, complementou a cineasta, que optou por usar narrativa com elementos de tabloides e reality shows, como spams em ritmo de videoclipe, dividindo telas, ângulos de câmera, verborragia visual, chamando atenção ao mesmo tempo. Podemos dizer que é um filme de ação pelo conteúdo.

Com câmera na mão, o roteiro acompanha o glamour das celebridades (festas, entrevistas televisivas, jornais) das “rich bitch”, o “bullying” dos alunos (poderosos – como o filho de um produtor de filmes) estudando em escolas elegantes, o Hip Hop, o querer dos jovens (ser apresentadores de televisão). O filme cria tensão do início ao fim, transformando esses jovens de “foras da lei” ao status de “Robin Hood” deles mesmo. E Sofia faz o que sabe de melhor: nós torcemos pelos “delinquentes”, entendendo que são vítimas de uma sociedade perdida, alienada e, com o perdão da palavra, “autista”. São Bonnie & Clyde do novo tempo, repetindo o faroeste com roupas caras e com o vício incontrolável de se desejar mais e sempre. Eles vivenciam plenamente a máxima americana de ser: “Yes, we can (Sim, Nós podemos)” e representam exatamente os jovens de hoje em dia (baseados nas características intrínsecas de rebeldia, austeridade, invencibilidade, arrogância, prepotência e defesa das fragilidades).  Tudo dentro de uma estrutura palatável e simples (este último sendo traduzido pela crítica como “a repetição do clichê e
ou a preguiça de se buscar algo mais Cult”). Por favor, críticos, como dizia o ditado popular: “Não há coisa mais complexa que a simplicidade”. Concluindo, um filme crítico, que busca a simplicidade para realizar a necropsia de uma sociedade doente pelo capitalismo. Recomendo. É o último filme do diretor de fotografia Harris Savides, que trabalhou com Sofia Coppolla em “Um Lugar Qualquer”. Ele faleceu em outubro de 2012, aos 55 anos de idade.

Nicki (Emma Watson), Marc (Israel Broussard), Rebecca (Katie Chang). Sam (Taissa Farmiga) e Chloe (Claire Julian), entre outros jovens de Los Angeles têm em comum uma vida meio vazia, de pais ausentes, como Laurie (Leslie Mann), mãe de Nicki, que não tem a menor noção do que as filhas estão fazendo nas ruas, durante o dia e, pior, durante a noite. Fascinados pelo mundo glamuroso das celebridades das revistas, como Paris Hilton, e artistas como Kirsten Dunst, o grupo começa a fazer pequenos assaltos na casa dessas pessoas, quando descobrem que entrar nas residências deles não é nada difícil. Cada vez mais empolgados com “os ganhos”, o volume dos saques desperta a atenção das autoridades, que decidem dar um basta nos crimes dessa garotada sem limites. Baseado em fatos reais.


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