CineBH 2021 – O Mercado do Documentário: Visões Contemporâneas

Produtores e diretores de programas e eventos que elegeram o documentário como foco refletem sobre as questões, espaços e alcances na atualidade

Por Vitor Velloso

Dando início à programação de debates, “O Mercado do Documentário: Visões Contemporâneas” trouxe ao público uma roda de conversa que contou com a presença de Dirk Manthey – produtor Dirk Manthey Film | Alemanha, Luiz González Saffaroni – Diretor Executivo DocMontevideo/DocSP | Uruguai, Marta Orozco – produtora Mart Films | México, com a mediação de Gudula Meinzolt – produtora Autentika Films, consultora da Indústria do Festival Visions du Réel, colaboradora Brasil CineMundi | Suíça.

“O documentário contemporâneo vive um período de efervescência cultural, se apresentando como um meio importante para a reflexão e a discussão sobre a sociedade e o mundo em que vivemos. Ao mesmo tempo em que ocupa, cada vez mais, um espaço importante no mercado audiovisual. Produtores e diretores de programas e eventos que elegeram o documentário como foco, refletem sobre as questões, espaços e alcances que o gênero apresenta na atualidade.”

A partir da introdução feita por Gudula Meinzolt , e das falas iniciais de cada um dos convidados, um primeiro panorama mais sólido para a discussão da mesa foi introduzido por Marta Orozco, que falou das possibilidades do documentário de debater a verdade, a realidade e questões sociais. A partir do que Marta coloca, aproximando-se da própria apresentação feita em texto, a conversa começou a fluir de maneira mais dinâmica. Dirk Manthey comentou que aquilo que lhe atrai na produção de um projeto de documentário, é algo mais subjetivo que necessariamente objetivo. Contudo, sua exposição foi sobre parte das possibilidades de produção na Alemanha: “Quase não é possível fazer um filme, documentário ou ficção, sem um canal de televisão”. Isso demonstra uma particularidade relativamente complexa que imbrica o mercado televisivo e o cinematográfico. De toda forma, em um determinado momento ele se une à Marta para dizer que parte dessa importância de tratar o mercado dos documentários surge de “assuntos sociopolíticos para tratar no cinema” e suas particularidades de fomento.

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Gudula fez uma pergunta interessante, que não apenas desdobrou em uma série de assuntos, como trouxe parte da temática da 15ª CineBH (acesse o site aqui) para a conversa: “Há alguma mudança [na produção de documentários] a partir do digital?”. Luis comentou sobre as experimentações realizadas por determinados autores nesse campo, tratando de como parte da liberdade criativa, através dos meios de financiamento podem dar liberdade para tal.

Já Dirk, comentou sobre a dificuldade de alocar os filmes de documentário nas salas de cinema, não apenas em um cenário pandêmico, onde as janelas ficaram mais próximas, porém como o próprio sustento dos produtores e autores depende diretamente dessas exibições em cinemas. Já na reta final da conversa, uma pergunta foi feita aos convidados
“Como vocês vêem o efeito “febre das séries” em relação aos documentários, como medir até que ponto o filme será melhor distribuído como longa ou como uma série de pequenos episódios, por exemplo?”. Luis respondeu que a diferença entre as série de documentários e os filmes em si, possuem uma diferença imediata no engajamento de cada uma das obras, seja em formatos mais enxutos ou mais longos, o desenvolvimento é completamente diferente, porém, representa uma nova oportunidade de financiamento para algumas produções e é uma possibilidade a ser pensada.

Até o dia 03, a programação da 15ª edição do CineBH, gratuita, está disponível no site da Universo Produção e o Vertentes do Cinema irá realizar a cobertura diária.

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