Céu de Agosto

Um punhado de fé e catastrófe

Por Vitor Velloso

Durante a Mostra de Tiradentes SP 2021

Previsões de um fim tardio-precoce em solo nacional, onde o hinário confunde o nascimento com o apocalipse. “Céu de Agosto” de Jasmin Tenucci vai atrás de um presságio e encontra uma dualidade do conservadorismo com a busca por uma salvação. 

Esse traço dramático da obra, presente no eixo norteador, pauta grande parte das relações internas do filme. A questão do nascimento se torna uma ampulheta na narrativa, assim como o suposto fim do planeta, que encontra pontos cristãos basilares em suas representações. Porém, para o bem ou para o mal, o curta acaba recebendo uma nova significação em um período pandêmico e novos destaques acabam surgindo. 

“Céu de Agosto” mira algumas interpretações riquíssimas, mas peca na condução de suas ideias. Existe aqui uma fragmentação excessiva na cadência com que as particularidades dramáticas vão acontecendo e essa problemática diretamente ligada ao ritmo acaba transformando o processo todo em um barato menos eficiente que poderia. O curta acaba se tornando uma fragilidade com muitas forças possíveis a serem exploradas, sem receber um desenvolvimento que dê conta de algumas investidas construídas em passos curtos. Acho que mais tempo disponível e uma paciência em trabalhar com elementos da narrativa, poderia fazer que isso aqui funcionasse que só, mas… 

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