Army of the Dead: Invasão em Las Vegas

Snyder e a facilidade com números

Por Vitor Velloso

Netflix

Zack Snyder tenta retornar às graças do público com “Army of the Dead: Invasão em Las Vegas”, os números divulgados pela Netflix são astronômicos e indicam uma possível franquia em construção, com um “prequel”  já divulgado. Contudo, seu novo longa, além de relembrar os bons momentos do diretor no passado, retorna com seus problemas de sempre e resume a produção multimilionária apenas “a mais uma opção de entretenimento” no catálogo da gigante do streaming. 

O projeto funciona em uma estrutura que já conhecemos, uma enxurrada de personagens são despejados na tela, como uma breve apresentação de suas principais habilidades úteis, com alguma música divertidinha, para contextualizar o espectador dos eventos que precedem a narrativa principal. Nesse esquema, os primeiros quinze minutos podem animar o público na maneira como as piadas servem como aberturas para os acontecimentos. Porém, após essa introdução e a vinheta programática, fica claro que a intenção é: tentar dar conta de um número astronômico de personagens, para que possamos, ao menos, nos importar com seus destinos. Em verdade, são poucos que valem a pena acompanhar e normalmente por um carisma na interpretação, menos por alguma “virtude” que tenha apresentado. 

A estrutura dramática e formal de “Army of the Dead: Invasão em Las Vegas” não foge à padronagem de um jogo de videogame, onde a lógica das fases se configura com a lenta aproximação do objetivo final, com um chefe claramente definido desde o início. É até interessante ver como Snyder tenta criar ambientes diferentes na mesma cidade, já quarentenada, para criar camadas de tensões não-monótonas que alinham com um barato visual menos automatizado. Um exemplo disso é a sequência que os personagens atravessam um mar de zumbis que estão “adormecidos”. E esses diversos conceitos no universo ali criado, conseguem se manter minimamente interessantes até que o clímax esteja estabelecido. O problema mesmo é que essa quantidade enorme de personagens, com a tentativa de criar algum drama funcional para cada um deles, faz com que o barato perca o sentido canastrão que aparentava. Toda aquela pirotecnia que envolve os minutos finais, parece enclausurada nessa tentativa de convencimento de que cada perda é “lamentável”. Com exceção de duas figuras. 

Essa moral que rege a maioria das obras de Zack Snyder não permite que o diretor retire as amarras dramáticas menos burocráticas para implementar um verdadeiro cassino de tiros, mortes e zumbis, sem que haja uma costura de “consciência”. Se tomarmos o exemplo de “Mad Max: Estrada da Fúria”, fica claro que tudo ali é uma desculpa para que esse universo seja exposto a partir do colapso absoluto em que se encontra, uma dinâmica de loucura com perda de sentido. E “Army of the Dead : Invasão em Las Vegas” parece excessivamente preocupado em construir uma espécie de “Esquadrão Suicida” com “Os Mercenários”, onde cada um é mais sinistro que o outro, a dinâmica deve ser funcional e a ação responde apenas ao seu grau de violência. 

É possível perceber que o filme não consegue deslanchar e parte disso é por não alinhar a ideia estilística com uma gravidade das ações, essa incongruência acaba pesando. São dois universos que ele busca enquadrar na mesma objetiva, sem que o diálogo entre eles fique claro. Não à toa, algumas janelas sequências de mortes são mais funcionais que outras. Os artifícios (a profundidade de campo normalmente reduzida, por exemplo) junto com a leve movimentação dos planos, para construir essa perspectiva “alucinante” de que se entrarmos em inércia, os personagens morrem. Esse estilo, que mais soa vício, somado à essa mise-en-scène heróica que prioriza as ações nesse espaço e tempo, até é funcional, mas acaba limitando o clímax ao enclausuramento desses espaços, para limitar essas ações em uma linearidade maior. Um recurso que Snyder realizou a carreira inteira, por reconhecer seu problema com a disposição do tempo diante de um espaço que se expande. Esse vício em cadenciar o cenário para a zona de conforto, apenas revela que Snyder pouco evoluiu desde seu último longa, mas alinhou algumas particularidade para fazer com que “Army of the Dead: Invasão em Las Vegas” seja mais funcional que parece, mesmo com uma série de problemas. 

Além de expôr que a estratégia conjunta com a Warner, manteve seu nome entre os assuntos mais discutidos da internet, por um período razoavelmente longo. Snyder é marqueteiro com RED na mão. Top assuntos do Twitter, do Insta com o “Liga da Justiça” com novo corte…. retorna e entrega o número 1 para a Netflix. 

Trailer

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