A Festa de Formatura

A projeção do dólar e uma formatura de egos

Por Vitor Velloso

Netflix

“A Festa de Formatura” de Ryan Murphy é o ápice da indústria cinematográfica vendendo seus pacotes de sucesso e prosperidade, acumulando capital em torno do sofrimento alheio e investindo nas tentativas de representatividade a partir do neoliberalismo “inclusivo”. O projeto mais hipócrita do ano, surge como uma peça de brilhos e canções com astros decadentes para tentar alegrar o coração de um país “invadido pelo reacionarismo evangelizador”. Para acreditar na história dos imperialistas, será necessário uma dose de amnésia aguda. Basta esquecer que o imperialismo norte-americano é propagado pelo modelo midiático de globalização, fomentado pelo capitalismo parasita, que mantém os países periféricos em seu grau de dependência, propaga a idealização de um modo de vida que induz o consumo e o excesso, vende uma ideologia conservadora que se opõe ao dogmatismo evangelizador, lucra com a venda de produtos de suas “campanhas inclusivas”.

Caso o espectador invista nessa mentira peçonhenta pavimentada por “A Festa de Formatura”, pode acreditar na honestidade de uma obra que representa o modo de vida da decadência burguesa que se utiliza dos mecanismos neoliberais para criar uma “revolução” individual que se torna independente dos grilhões estatais. Meryl Streep está mais perto de uma agente da CIA que uma esquerda liberal Hollywoodiana que investe em lutas representativas. Casos não faltam, caráter… Um bocado. Esqueceram de seu silêncio no caso Weinstein? Não. Mas as lutas da ciranda burguesa liberal são moldadas através de seus interesses, a revolução individual surge em campanha da liberdade contra as amarras do Estado. Com um pouco de caráter e seriedade Murphy não assumiria que Hollywood possui o poder de “mudar vidas” e “encantar”, “revolucionar”.

“A Festa de Formatura” é um centrismo de representação capitalista que torna seu novo longa uma monumental projeção de ego no Boulevard das cores vibrantes e na idealização de uma luta que é financiada pelos piores conservadores e reacionários a manter de pé a grande empresa que é os EUA. Meryl Streep é uma especialista em viver a “riquinha medita a besta” e interpreta uma personagem sórdida, que lucra em torno das mazelas sociais norte-americanas, como a Broadway e Hollywood cansaram em fazer. O projeto é a síntese da peçonha burguesa que mantém de pé o capitalismo como mão única na luta por representatividade. Todo o contorno musical transforma o barato todo nessa projeção individual de como o otimismo neoliberal atravessa o que seria “a família de bem”, sem levar em conta que essa mesma formação política e econômica criou os modos de repressão.

Os conservadores criaram a repressão e idealizaram uma forma de “resistência” que enche os bolsos dos produtores e financiadores do processo. O silêncio ensurdecedor em anos de repressão, abusos, assédios e estupros são calados pelas vozes sintéticas e “magníficas” de “A Festa de Formatura” que formaliza o otimismo cristão em consonância com o acúmulo financeiro. O personagem vestido de bandeira norte-americana a cantar sobre as liberdades e necessidades de resistência, enquanto sonha com o palco dos imperialistas engomados, é sacristia de redenção do ufanismo alienante que consome o perdão de uma nação que possui mais sangue estrangeiro em virtude da dependência econômica, que no próprio solo.

Cada palavra do crítico do The New York Times no início do filme, é um elogio. A luta que o filme finge promover é completamente sufocada nas graças dos dólares se amontoando em um musical com as notas acrobáticas que apenas o pessoal do Murphy e seu otimismo movido a dólar podem conceber.

“A Festa de Formatura” é tudo, menos um filme sobre a luta de sua protagonista, que possui raízes na história verídica de Constance. Meryl Streep é a agente infiltrada que deve garantir os limites aceitos pela Academia e conscientizar que a luta seja movida pelos sonhos Hollywoodianos e o conservadorismo. Dólar e brilho em união para defender a luta LGBTQI+, porque o lucro surge a partir das figuras decadentes que cantam e glorificam o capital.

A verdadeira luta jamais acontecerá com a objetiva de quem se articula com o financiamento de Broadway e afins. “Valentina” é um enfrentamento mais digno, “Tatuagem “, mais articulado, “Tinta Bruta” mais carnal. Mas claro, vamos aplaudir Meryl Streep e os milionários de Hollywood.

Trailer

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