A Destruição do Planeta Live

Ensaio e limites

Por Vitor Velloso

Durante a Mostra de Tiradentes SP 2021

“A Destruição do Planeta Live” de Marcus Curvelo é um projeto curioso que desafia parte dos espectadores a tentar vislumbrar o suicídio, o desespero, um país decadente e lives. O negócio está entre o devaneio completo e o desabafo consciente. Dialogando com ideias ensaísticas, o filme incorpora estéticas multifacetadas para compreender seu material em recortes que fortaleça os vínculos diretos com a base do ensaio.

A ausência de uma fragmentação fora do eixo ficcional, transforma o desafio um experimento curioso com resultados bastante interessantes. Não apenas por demonstrar a capacidade de assimilação da objetiva como esse registro que é capaz de sintetizar uma ideia entre a ação e a mise-en-scène, mas por conseguir potencializar o desfecho da obra em algo não dramático. É algo inevitável, clichê quase, que brinca com a noção desse tempo e do espaço em meio a capacidade pixelar do mundo contemporâneo. Uma realidade que se desfaz em construção constante à medida que o usuário é acometido pela decadência do mundo neoliberal.

Funcionando como uma espécie de epílogo/prólogo/continuação de “Eu, Empresa“, Curvelo tenta encontrar alguns espaços diante de um delirante mundo conectado, sem entender parte do terreno onde atua. E isso é divertidíssimo de se assistir. “A Destruição do Planeta Live” pode não ser seu melhor projeto, e passa longe disso, mas é bastante funcional e elucidativo de um processo que o diretor tenta encontrar, destruir, construir, tudo ao mesmo tempo.

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