4 Bilhões de Infinitos

O cinema, os sonhos e o (im)possível

Por Vitor Velloso

Durante o Festival de Gramado de 2020

O ato de tentar conceber o sonho enquanto cinema, projeção da realidade, do futuro, ou quem sabe do almejo mais sincero e honesto que possamos ter? A verdade é que “4 Bilhões de Infinitos” é particularmente interessante ao analisarmos a conjuntura atual do “realismo fantástico” brasileiro, pois ele compreende suas duas vertentes possíveis em uma unidade de cinema e produção de sonhos. E só por isso ele já seria um bom candidato à debate da semana, não só por seu discurso, mas a concepção de Marco Antônio Pereira busca um tom bastante lúdico e inocente para a realidade brasileira. 

Mas longe de ser alienado em si, ele internaliza os problemas através de seu realismo e de sua quebra. É um movimento maduro o suficiente para uma autocrítica de gênero e parece reconhecer os problemas da abordagem até em seus triunfos. Dessa maneira, ao desarticular suas possibilidades nessa pureza do fazer cinematográfico e nos sonhos possíveis e impossíveis, após uma tragédia do subdesenvolvimento. E é com tom singular que “4 Bilhões de Infinitos” consegue se estruturar em torno do quão lúdico pode ser um retrato do terceyro mundo em sonhos e cinemas criados.

Utilizo aqui o fim da crítica para indagar aos críticos e “pesquisadores” de cinema brasileiro suas recentes atividades. Passou a CineOP, SpCineplay segue à todo vapor, Gramado está acontecendo, mas vejo apenas as pautas estrangeiras, a recusa da contemplação do nosso cinema, esse mesmo que dizem defender. Gangrena intelectual é iniciar o movimento que interessa no momento que lhe interessar. Hipócritas. Marco Antônio está há anos na estrada, agora apresenta a nova obra. Diversos cineastas estão buscando espaço no atual festival e vocês deram as costas. Afinal, agora não há logística e festinha na cidade né? 

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