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Wander VI

A exposição industrial

Por Vitor Velloso

Durante Festival de Gramado de 2020

O primeiro curta metragem da quarta sessão do Festival de Gramado de 2020, “Wander VI” de Augusto Borges e Nathalya Brum é honesto em sua abordagem. Ele busca tratar das tentativas de sucesso na carreira musical de seu protagonista. Está claro aqui que suas buscas se dão através de uma inserção no mercado musical brasileiro, uma indústria pra lá de injusta, que concebe o sucesso a partir de necessidades internas, não de vontades externas à máquina.

Dito isso, é possível falar de como o conteúdo está longe da cultura brasileira de maneira mais latente, é claramente um produto importado para agradar uma padronagem pré-concebida. Mas o filme além de não construir olhar crítico para a obra de seu protagonista, nem mesmo para a indústria a ser ocupada, não consegue se firmar em uma estética que consolide uma autoria particular do documentário. Acaba caindo em armadilhas fáceis de uma estrutura formal do gênero, torna-se exposição de assunto. E essa questão é algo formulaico na produção documental, filma-se o cotidiano, enquadra os ínterins, mas não se particulariza nenhum momento para além dessa construção do filme. 

A abordagem sempre leva ao problema específico da inocuidade do olhar diante de suas filmagens, pois a exposição é contundente em ser esvaziar as possibilidades. Há diferenças abismais em expor um assunto compreendo o mesmo através de uma visão crítica de seu material, mas aqui os processos se dão apenas em almejos e lampejos. “Wander VI” acaba esgotando tudo em si, reverbera o quão distante estamos de uma cultura brasileira minimamente independente. 

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