TV Cubo

Mascarados, interventores e repórteres

Por Vitor Velloso

Durante o CineOP 2020

Dentro da Mostra Histórica, dois programas foram selecionados para representar parte da história da “TV Cubo”, o número um com direção coletiva, o segundo com Marcelo Masagão à frente. 

O mais interessante, dizendo o mínimo, sobre o programa, é que foi uma intervenção direta na transmissão do SBT e da TV Cultura, onde o áudio interrompeu a programação, avisando que todos ligassem no canal 3: “Tele – humanos em geral, boa noite. Pedimos desculpas mas estamos invadindo o ar de seu lar. Pedimos que sigam atentamente as nossas instruções. Está entrando no ar a TV Cubo”. A genialidade da intervenção, que beira uma performance imediata, está também explicita nos programas. Cortes rápidos, um frenesi absoluto de imagens, uma experimentação que deixa os concretistas de boca aberta. 

Entrevistadores mascarados, relembrando parte do movimento “Diretas Já”, com claríssimos posicionamentos políticos, que iam às ruas conversar com o povo, cobrando uma mudança política, que tinha como Sarney à situação. 

Os dois programas apresentados na 15ª CineOP, são fulminantes e fumegantes, verdadeiros projéteis televisivos, que rompe qualquer amarra do tradicionalismo na linguagem televisiva, na estrutura, na transmissão. Tal como a TV Cubo, essas exibições são curtas, mas com um viés político bastante explícito, relacionando esse formato padronizado de uma forma de fazer, com suas convicções acerca da burocracia da reabertura. 

É claro que a ideia da contracultura possui diversas faces a serem debatidas, inclusive ideias propriamente reacionários inseridas no movimento, mas isso não tira a importância dessas manifestações. E aqui em “TV Cubo” encontra o aparato perfeito, com a linguagem ideal e melhor, o deboche violento.

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