Tudo Sobre os Filmes Selecionados ao Festival de Cannes 2023

Tudo Sobre os Selecionados ao Festival de Cannes 2023

Sua 76a edição traz filmes brasileiros concorrendo em diversas mostras, como é o caso de “Firebrand”, de Karim Aïnouz, em busca da Palma de Ouro

Por Fabricio Duque

Talvez nunca consigamos identificar qual o sentimento gerado quando o Festival de Cannes anuncia a abertura do credenciamento de imprensa para a edição de mais ano. Como já foi muito abordado em textos anteriores, nós somos acometidos por uma ansiedade e uma euforia desmedida, que faz cair por terra toda a crença de que finalmente estamos prontos. Que todo nosso imediatismo cinéfilo está controlado. Mas não, nos dando conta então que o desespero é o mesmo. Sabe o porquê do Festival de Cannes causar essas agitações? Unicamente devido a nos “bombardear” com todas as novidades de uma vez. É, pois é. Por conta disso, posso dizer que tentarei não mais me enganar com falsos “poderes” de precisa organização que sempre jurei ter. Os selecionados oficiais foram apresentados no último dia 13/04, apresentada por Iris Knobloch, a nova presidente do festival, e Thierry Frémaux, que segue intacto como diretor geral. 

Uma dessas novidades não é conhecer o tão aguardado cartaz oficial com a atriz Catherine Deneuve (fotografada enquanto filmava “La Chamade”, de Alain Cavalier, na  praia de Pampelonne, perto de Saint-Tropez), e, sim, receber a informação de que este ano mais filmes brasileiros foram selecionados em diversas mostras, inclusive na Competição Oficial (este ano o presidente do Júri é o cineasta sueco, Ruben Östlund – que venceu o Festival de Cannes 2022 com Melhor Filme para “Triângulo da Tristeza”), que conta com o novo filme de Karim Aïnouz, “Firebrand”, brigando pela Palma de Ouro. E que escala Alicia Vikander, Jude Law, Michelle Williams. Junto vem Wes Anderson, Ken Loach, Todd Haynes, Wim Wenders, Nuri Bilge Ceylan. Sim, precisamos também sempre que um festival começa, desconectar-se do anterior. Cada um é novo e uma página em branco. Jeanne du Barry, filme dirigido por Maïwenn, com o ator Johnny Depp abrirá a edição 76 do Festival de Cannes, que representa Bodas de Cipreste, material muito resistente, mas para chegar até essa condição, é preciso passar por várias fases. 

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Nossa cobertura completa do Festival de Cannes 2022

Outra metáfora pertinente a toda estrutura que o Festival de Cannes causa até mesmo naqueles que não são tão cinéfilos assim. Qual o segredo? Conjugar o mainstream com o mais independente dos conceituais? E neste ano, recorde de filmes dirigidos por mulheres. Há o novo Indiana Jones e o Chamado do Destino, de James Mangold, estrelado por Harrison Ford e também o novo de Kleber Mendonça Filho, “Retratos Fantasmas” (na mostra Sessões Especiais). Tem Steve McQueen, tem Wang Bing, Takeshi Kitano, e sim há o novo de Martin Scorsese, Killers of the Flower Moo, com quase quatro horas de duração, este está causando taquicardia nos corações dos mais controlados, não é Pablo Villaça? 

O Festival de Cannes 2023 também exibirá a tão aguardada nova animação da Pixar, “Elementos”. Mas de novo o olhar do Brasil está nos filmes conterrâneos. A mostra Un Certain Regard selecionou “A Flor do Buriti”, realizado pelo português João Salaviza e pela brasileira Renée Nader Messora. A parceria dos dois continua forte. Eles apresentaram, também na edição 2018 do Un Certain Regard, “Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos”, vencendo inclusive o Prêmio Especial do Júri. 

Festival de Cannes 2023

CONFIRA A LISTA COMPLETA DOS FILMES SELECIONADOS AO FESTIVAL DE CANNES 2023

COMPETIÇÃO OFICIAL

Anatomie d’une chute, de Justine Triet (França)
Asteroid City, de Wes Anderson (EUA)
Banel & Adama, de Ramata-Toulaye Sy (Mali/Senegal/França)
Club Zero, de Jessica Hausner (Áustria)
Fallen Leaves, de Aki Kaurismäki (Finlândia)
Firebrand, de Karim Aïnouz (Reino Unido/EUA)
Il sol dell’avvenire, de Nanni Moretti (Itália)
Jeanne du Barry, de Maïwenn (França/Reino Unido) (filme de abertura) (fora de competição)
Jeunesse, de Wang Bing (França)
Kuru Otlar Üstüne, de Nuri Bilge Ceylan (Turquia/França/Alemanha/Suécia)
L’été dernier, de Catherine Breillat (França)
La chimera, de Alice Rohrwacher (Itália/França/Suíça)
La Passion de Dodin-Bouffant, de Trần Anh Hùng (França)
Les Filles d’Olfa, de Kaouther Ben Hania (Tunísia)
May December, de Todd Haynes (EUA)
Monster, de Hirokazu Koreeda (Japão)
Perfect Days, de Wim Wenders (Japão/Alemanha)
Rapito, de Marco Bellocchio (Itália/França/Alemanha)
The Old Oak, de Ken Loach (França)
The Zone of Interest, de Jonathan Glazer (Reino Unido/Polônia/EUA)


UN CERTAIN REGARD

A Flor do Buriti (Crowrã), de João Salaviza e Renée Nader Messora (Brasil/Portugal)
Augure, de Baloji Tshiani (Bélgica/Holanda/Congo/Alemanha/África do Sul)
Goodbye Julia, de Mohamed Kordofani (Sudão/Suécia)
Hopeless, de Kim Chang-hoon (Coreia do Sul)
How to Have Sex, de Molly Manning Walker (Reino Unido)
If Only I Could Hibernate, de Zoljargal Purevdash (Mongólia)
Kadib Abyad, de Asmae El Moudir (Marrocos)
Le règne animal, de Thomas Cailley (França) (filme de abertura)
Les meutes, de Kamal Lazraq (França)
Los Colonos, de Felipe Gálvez (Chile)
Los Delincuentes, de Rodrigo Moreno (Argentina/Brasil/Luxemburgo/Chile)
Rien à Perdre, de Delphine Deloget (França)
Rosalie, de Stéphanie Di Giusto (França/Bélgica)
Simple comme Sylvain, de Monia Chokri (Canadá)
Terrestrial Verses, de Ali Asgari e Alireza Khatami (Irã)
The Breaking Ice, de Anthony Chen (China)
The New Boy, de Warwick Thornton (EUA)


FORA DE COMPETIÇÃO

Cobweb, de Kim Jee-woon (Coreia do Sul)
Indiana Jones e a Relíquia do Destino, de James Mangold (EUA)
Killers of the Flower Moon, de Martin Scorsese (EUA)
The Idol, de Sam Levinson (EUA)


CANNES PREMIÈRE

Bonnard, Pierre et Marthe, de Martin Provost (França)
Cerrar los ojos, de Víctor Erice (Espanha)
Kubi, de Takeshi Kitano (Japão)
Le temps d’aimer, de Katell Quillévéré (França/Bélgica)


SESSÕES ESPECIAIS

Anselm (Das Rauschen der Zeit), de Wim Wenders (Alemanha)
Man in Black, de Wang Bing (EUA)
Occupied City, de Steve McQueen (Reino Unido/Holanda)
Retratos Fantasmas, de Kleber Mendonça Filho (Brasil)

MOSTRA FILMES DA MEIA-NOITE

Acide, de Just Philippot (França/Bélgica)
Kennedy, de Anurag Kashyap
Omar la fraise, de Elias Belkeddar (França)

Especial Karim Ainouz

SEMANA DA CRÍTICA 2023

A Semana da Crítica seleciona “Levante”, primeiro longa-metragem da realizadora brasileira Lillah Halla (do curta-metragem “Menarca” – exibido no Festival de Cannes 2020), que promete polêmica ao contar o dilema de Sofia, uma jovem jogadora de vôlei que descobre estar grávida, em um país (Brasil) onde o aborto é ilegal. Uma coprodução Brasil-Uruguai com Grace Passô, Gláucia Vandeveld, Rômulo Braga, Suzy Lopes, Rejane Faria, entre outros atores no elenco. A diretora geral da Semana da Crítica, Ava Cahen, montou a grade com 11 filmes concorrentes, e que será presidido por Audrey Diwan, diretora francesa de “O acontecimento” (venceu o Leão de Ouro no Festival de Veneza  2021).

COMPETIÇÃO

Il pleut dans la maison, de Paloma Sermon-Daï (Bélgica/França)
Inshallah Walad, de Amjad Al Rasheed (Jordânia/França/Arábia Saudita/Qatar)
Jam, de Jason Yu (Coreia do Sul)
Le Ravissement, de Iris Kaltenbäck (França)
Levante, de Lillah Halla (Brasil/Uruguai/França)
Lost Country, de Vladimir Perišić (França/Sérvia/Croácia/Luxemburgo)
Tiger Stripes, de Amanda Nell Eu (Malásia/Taiwan/Singapura/França/Alemanha/Holanda/Indonésia/Qatar)

SESSÕES ESPECIAIS

Ama Gloria, de Marie Amachoukeli (França) (filme de abertura)
La fille de son père, de Erwan Le Duc (França) (filme de encerramento)
Le Syndrome des Amours Passées, de Ann Sirot e Raphaël Balboni (Bélgica/França)
Vincent doit mourir, de Stéphan Castang (França)


QUINZENA DOS CINEASTAS 2023

Já a Quinzena dos Realizadores, que este ano muda para Quinzena dos Cineastas, cujo cartaz oficial homenageia o realizador português Manoel de Oliveira com o still de um de seus filmes, “Val Abraão” (1993), chega a sua edição 55 sem nenhum integrante brasileiro, acontecendo de 17 e 26 de maio, mas gerando altas expectativas com a nova obra de Michel Gondry (“Le Livre des solutions”), Cédric Kahn (“Le procès Goldman”, filme de abertura) e para não perder a tradição anual: o novo de Hong Sang-soo (“Woo-Ri-UI-Ha-Ru”) E este ano, o Carrossel de Ouro será entregue ao cineasta maliano Souleymane Cissé. 

LONGA-METRAGEM

Agra, de Kanu Behl (Índia)
Bên trong vỏ kén vàng, de Thien An Pham (Vietnã)
Blackbird Blackbird Blackberry, de Elene Naveriani (Geórgia)
Blazh, de Ilya Povolotsky (Rússia)
Conann, de Bertrand Mandico (Bélgica/França/Luxemburgo)
Creatura, de Elena Martín (Espanha)
Déserts, de Faouzi Bensaïdi (Bélgica/Dinamarca/Alemanha/França/Marrocos)
In Flames, de Zarrar Kahn (Paquistão/Canadá)
L’autre Laurens, de Claude Schmitz (Bélgica/França)
Le Livre des solutions, de Michel Gondry (França)
Le procès Goldman, de Cédric Kahn (França) (filme de abertura)
Légua, de Filipa Reis e João Miller Guerra (Portugal/França/Itália)
Mambar Pierrette, de Rosine Mbakam (Camarões/Bélgica)
Riddle of Fire, de Weston Razooli (EUA)
The Feeling That the Time for Doing Something has Passed, de Joanna Arnow (EUA)
The Sweet East, de Sean Price Williams (EUA)
Un Prince, de Pierre Creton (França)
Val Abraão, de Manoel de Oliveira (Portugal/Suíça/França) (exibição especial)
Woo-Ri-UI-Ha-Ru, de Hong Sang-soo (Coreia do Sul) (filme de encerramento)
Xiao Bai Chuan, de Zihan Geng (China)

CURTA-METRAGEM

Axxam Yaṛɣa, Maqaṛ Ansaḥmu, de Mouloud Aït Liotna
Dans la tête un orage, de Clément Pérot-Guillaume (França)
Il Compleanno di Enrico, de Francesco Sossai (Itália)
J’ai vu le visage du diable, de Julia Kowalski (França)
Lemon Tree, de Rachel Walden (EUA)
Margarethe 89, de Lucas Malbrun (Alemanha/França)
Mast-Del, de Maryam Tafakory (Irã)
Oyu, de Atsushi Hirai (Japão)
The Red Sea Makes Me Wanna Cry, de Faris Alrjoob (Jordânia)
Xia Ri Fu Ben, de Yue Pan (China)

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