Tudo Sobre o Festival É Tudo Verdade 2025 no RJ e SP
Festival chega em sua 30ª edição homenageando Vladimir Carvalho e exibindo o clássico “Cabra Marcado para Morrer” de Eduardo Coutinho
Por Clarissa Kuschnir
Como não amar o É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários, que a cada ano nos conquista mais e nos faz mergulhar no gênero “verdade”. Inclusive, na minha opinião, os documentários estão ainda melhores que filmes live action, porque nos apresenta uma fonte inesgotável dos mais diversos assuntos e universos. E abril, já tradicionalmente, é sempre o mês desses filmes. São Paulo e Rio de Janeiro recebem o É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários 2025, que chega em sua 30ª edição, ocorrendo do dia 03 a 13 de abril e exibindo mais de 85 produções de 30 países (entre curtas, longas e médias), além de conferências, debates e sessões de streaming. E tudo isso, gratuitamente.
“Muito bacana poder fazer essa coletiva no IMS, pois aqui é mais uma sala que faz parte do circuito do festival este ano. É emocionante estar aqui na trigésima edição. São três décadas fazendo o É Tudo Verdade e estou aqui para conversar sobre a programação que estamos anunciando”, disse Amir Labaki, diretor-fundador do festival, durante a apresentação para a imprensa, ocorrida em meados de março, na capital paulista. Além de Amir, estavam presentes alguns parceiros do festival (Itaú Cultural, Sesc-SP e Spcine).
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A Programação Completa no Rio de Janeiro e em São Paulo
E, nestes últimos anos que tenho acompanhado o festival, foi uma das coletivas mais cheias da era pós-pandêmica. O que é bem positivo. Após a coletiva foi exibido “About Here”, de Piotr Winiewicz (Dinamarca, Alemanha, EUA). O longa, que foi premiado no IFDA (Festival Internacional de Documentários de Roterdã), o melhor festival de documentário no mundo, aborda em meio a um misto de ficção e realidade sobre a morte misteriosa, de um trabalhador de uma fábrica em Getunkirchenburg. Temos Werner Herzog que viaja para a cidade, para tentar descobrir o crime. Porém, tudo no filme é dúbio, não se sabe se é verdade ou gerado pela Inteligência Artificial. E isso é deixado bem explicito, logo no começo para os espectadores.
Ao apresentar a arte do festival, que este ano traz Vladimir Carvalho segurando a claquete original das filmagens de “Cabra Marcado para Morrer”, de Eduardo Coutinho de 1964, Amir fez questão de dizer que ambos os documentaristas (Coutinho falecido em 2014 e Vladimir em outubro passado) são grandes inspiradores do que se traz no É Tudo Verdade, além de grandes nomes do Cinema Novo e dos documentários no Brasil. E ainda complementou que este ano, em que o festival comemora 30 anos, é uma homenagem mais necessária a eles. Em uma das curiosidades, Vladimir, que era assistente de Eduardo Coutinho na época do filme, foi quem apresentou ao diretor Elizabeth Teixeira, figura central de “Cabra Marcado para Morrer”, que completou 100 anos em fevereiro. “Os dois estarão ausentes fisicamente nas salas, mas estarão vivos durante os 10 dias olhando para o É Tudo Verdade”, finalizou Amir Labaki.
As 85 produções se dividem entre mostras competitivas (nacionais e internacionais) e não competitivas que são os Programas Especiais: O Estado das Coisas, Foco Latino-Americano e Clássicos do É Tudo Verdade. Lembrando que os quatro filmes vencedores dos prêmios dos júris oficiais, tanto das competições brasileiras, quanto das internacionais (longas, médias e curtas-metragens), são automaticamente classificados para a apreciação à disputa do Oscar 2026, já que o festival tem o reconhecimento “Qualifying Festival” pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.
É Tudo Verdade 2025 em São Paulo e no Rio de Janeiro
Este ano, o festival retorna ao Cinesesc, em São Paulo, além de exibições na Cinemateca Brasileira (Salas Grande Otelo e Oscarito), Instituto Moreira Salles/IMS Paulista e Centro Cultural São Paulo. No Rio de Janeiro, as sessões acontecem no Estação Net Botafogo, Estação Net Rio e Sala José Wilker, do recém-inaugurado Cine Carioca. O É Tudo Verdade 2025 ainda amplia sua programação no streaming do Itaú Cultural entre os dias 14 e 30 de abril com dez curtas: seis da competição brasileira e quatro do homenageado Vladimir Carvalho.
Na programação paralela, o É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários 2025 integra também à programação a série “Encontros Especial 30!” que, em parceria com o Centro de Pesquisa e Formação do SESC – SP, reúne quatro cineastas reconhecidos e premiados ao longo destes trinta anos de festival: Eliza Capai, Joel Zito Araújo, Paulo Sacramento e Roberto Berliner, profissionais que transitam entre o cinema e a realidade, explorando os caminhos do documentário brasileiro, para palestras nos dias 10 e 11 de abril. E dentro desta agenda, serão exibidos ainda três documentários marcantes da história do evento que são: “O Velho – A História de Luiz Carlos Prestes”, de Toni Venturi (falecido o ano passado), “Noel Field – A lenda de Um Espião” e o clássico “Cabra Marcado Para Morrer”.
Ainda dentro da programação, a Formação Spcine convida grandes nomes do cinema brasileiro para duas masterclass, nos dias 6 e 13 de abril, às 14:30, no Centro Cultural São Paulo, com os convidados respectivos Susanna Lira e Luiz Bolognesi.
E na mostra programas especiais, destaque para a retrospectiva do paraibano Vladimir Carvalho que terá seus nove títulos entre eles: “O País de São Saruê” (seu primeiro trabalho) e “Conterrâneos Velho de Guerra e Rock Brasília – Era de Ouro”. Já na retrospectiva internacional, o festival traz este ano oito filmes do cineasta britânico Humphrey Jennings, um dos maiores documentaristas da história do cinema, junto com o documentário “Humphrey Jennings – O Homem que Ouviu a Grã-Bretanha”, dirigido por Kevin Macdonald.
A abertura do É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários 2025 para convidados ocorrerá no dia 02 de abril em São Paulo (exibindo “Ritas”, de Oswaldo Santana) e no dia 03 de abril no Rio de Janeiro com o documentário “Viva Marília”, de Zelito Viana.
Para decidir as premiações das mostras competitivas (longas/médias-metragens e curtas-metragens) internacionais e brasileiras, o festival compôs os Júris Oficiais. Os vencedores serão anunciados no dia 12 de abril, em cerimônia na Cinemateca Brasileira (em São Paulo). No Júri Internacional, temos Andrés di Tella, documentarista, escritor, professor e curador argentino; Bill Nichols, referência mundial na história e teoria do documentário; e Eliza Capai, cineasta brasileira (de “Espero Tua (Re)volta” em 2019). Para o Júri Brasileiro: Débora Ivanov, diretora da distribuidora Gullane+; Paulo Sacramento, diretor, produtor e montador (de “O Prisioneiro da Grade de Ferro – Autorretratos”); e Roberto Berliner, cineasta brasileiro (de “A Pessoa É Para O Que Nasce”).
O Melhor Documentário da Competição Brasileira: Longas ou Médias-Metragens recebe R$ 20.000. Melhor Documentário da Competição Internacional: Longas ou Médias-Metragens recebe R$ 12.000. Melhor Documentário da Competição Brasileira: Curtas-Metragens recebe R$ 6.000. Melhor Documentário da Competição Internacional: Curtas-Metragens recebe R$ 6.000.
E para celebrar os 30 anos do festival É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários, o Canal Brasil volta com a faixa “É Tudo Verdade” dedicada ao evento. Com a curadoria do fundador e diretor do festival, além de crítico e jornalista, Amir Labaki, a nova temporada traz os longas documentais que mais se destacaram nos últimos anos. A programação acontece todas as quartas, às 20:00 com os filmes: 16/04 – “171” (2024, 95′) – Inédito no Canal Brasil; 23/04 – “Favela do Papa” (2023, 76′) e 30/04 – “Dorival Caymmi – Um Homem de Afetos” (2023, 92′, que inclusive é o dia do Aniversário do cantor).
“A realização ininterrupta do É Tudo Verdade nestas três décadas, sempre simultaneamente em São Paulo e no Rio de Janeiro, tem sido marcada por radicais transformações na produção, distribuição, exibição e consumo de filmes, por desafios tradicionais para a consolidação de todo projeto cultural no país e por circunstâncias críticas, como a eclosão de uma devastadora pandemia que ceifou cruelmente milhões de vidas, ao mesmo tempo em que erodiu, como nunca, as bases essenciais da experiência social da fruição cinematográfica”, escreve Amir Labaki na apresentação do site.
E nos dias 08 e 09 de abril acontece a 22ª Conferência Internacional do Documentário na Cinemateca Brasileira (em São Paulo). No dia 09, às 10h, tem “Documentário como o Olho/ Eu da Verdade” com Bill Nichols; seguida às 14:30 de “It’s All True: Um Estudo Clássico” com Carlos Augusto Machado Calil e Catherine L. Benamou. No dia 09, às 10h, “Vladimir Carvalho: Novas Perspectivas sobre Sua Obra” com Aline Carrijo e André Manfrim; e às 14:30 14h30, “É Tudo Verdade: 30”, com Juliana Muylaert Mager e Kamyla Faria Maia.
A 30ª edição do É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários conta com Patrocínio do Itaú, Parceria do Sesc-SP, e Apoio Cultural da Spcine, do Galo da Manhã e do Itaú Cultural. Realização: Ministério da Cultura do Governo Federal, através da Lei de Incentivo à Cultura (Lei N. 8313).