Trópico de Capricórnio

Retratos de um conservadorismo

Por Vitor Velloso

Durante o CineOP 2021

Juliana Antunes é uma cineasta que divide opiniões seu longa “Baronesa” (2017), dividiu a crítica, o curta-metragem “Plano Controle” (2018) teve uma recepção mais equalizada porém moderada e agora “Trópico de Capricórnio” (2020) ainda não decolou no meio crítico, pois parte dos profissionais estavam testando seu italiano. Porém, de sua breve cinematografia, acredito que seja o projeto mais sólido e pessoal que construiu até o momento. E sem dúvida demonstra uma versatilidade notória. 

Com registros pessoais e familiares, a cineasta conta como suas descobertas sexuais são pontos de atrito com o conservadorismo da sociedade, um preconceito criminoso e virulento que possui uma síntese na figura que ocupa a cadeira no Planalto. Mas Juliana Antunes faz algo muito sincero. Seus close no próprio rosto, com repetições, flertes (in)conscientes com outras garotas e insatisfação em estar em um ambiente assumidamente conservador como a Igreja. A cena do Tchan é absolutamente genial e devo confessar que soltei uma gargalhada nervosa, já que sua construção é em torno dessa heteronormatividade que nos impuseram. A frase do “se acender eu atiro” é uma síntese brutal de nossa sociedade. 

“Trópico de Capricórnio” merece mais do que uma crítica pode comportar, por sua inutilidade aqui. Tudo que foi dito, exibido, narrado é suficiente por si. É necessário que as pessoas assistam ao filme e ponto.   

Obs: o aplicativo que utilizo para escrever as críticas diz que “heteronormatividade” não existe. E na crítica anterior quando escrevi “as atletas”, ele corrigia automaticamente para “os”. É a institucionalização desse conservadorismo ali denunciado.

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