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Trincheira

Os sonhos do terceyro mundo

Por Vitor Velloso

Durante o Festival de Gramado de 2020

O filme mais interessante da Mostra Cine-Escola deste ano na Cineop e um dos destaques de Gramado, “Trincheira” consegue construir com facilidade o problema da desigualdade econômica e social no Brasil, a partir de um imaginário. E ainda consegue explicitar o problema de uma homogeneidade entre o pensamento imaginativo das classes. É claro que acaba cedendo à algumas formalidades de um cinema comercial, para que consiga ser didático no nível que pretende, mas faz isso com uma consciência ímpar. 

Paulo Silver, diretor, consegue trabalhar uma questão de perspectiva mais inocente dos problemas sociais, indo para o lado mais lúdico do olhar de uma criança, assim consegue compreender bem, em seu projeto curto, uma ciência plena de um ato infantil, que deve ser mantido, mas que essa desigualdade não permite. 

As nuances estão diretamente ligadas aos problemas imediatos do subdesenvolvimento e poder imaginativo, uma fugacidade necessária, apoiada nos bens materiais que, recusados por outros, torna-se a viabilidade dos sonhos de uma criança. O Brasil vitimiza o lúdico, é necessário recorrer ao olhar infantil para concretizar qualquer questão que não esteja ligada de maneira intrínseca à política nacional e a situação do país. Mas aqui mora a diferença dos projetos propriamente burgueses, que retratam esse mundo de almejo e vontades, como algo particular, interno. Silver compreende como unicidade do garoto, mas não verbaliza em torno desse sonho. O cinema é material, direto, discurso concreto, que apenas cria uma diretriz imediata com relação ao espaço e o tempo daquele local. 

Não há recorrência fora do terceyro mundo que se compreenda essa questão de velar o ambiente, com jornais, tornar lixo uma máquina do futuro. É o realismo fantástico que não se desprende de seu solo. Um respiro que “Trincheira” nos traz. 

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