Ficha Técnica

Direção: Joao Rodrigo Mattos
Roteiro: Joao Rodrigo Mattos
Elenco: Luis Miranda, Marcélia Cartaxo, Zeu Britto
Fotografia: Pedro Semanovischi
Montagem: Bau Carvalho
Música: Lourimbau, Robertinho Barreto, Alexandre Lins e andre t.
País: Brasil / Alemanha
Ano: 2010
Duração: 90 minutos

A opinião

“Prêmio de baixo orçamento, mas grande na tela”, diz a produtora do filme “Trampolim do Forte”, que aborda a história de pessoas que vivem na parte pobre (submundo) de Salvador. Inicia-se com a violência interativa, utilizando a camera como o olhar do personagem. Com sinestesia, corre junto, espirra água na tela, com a música humanizando a cena apresentada e contemplando os sofrimentos. A parte técnica funciona quando a fotografia saturada expõe nuances e sombras na noite, mas cansa quando repete as cenas subaquáticas. O elemento interpretação desvirtua da proposta apresentada. É exagerado, teatral, não convence, melodramático e extremamente amador. Complementa-se a trama que se perde na própria historia contada, deixando na atmosfera, características bobas e previsíveis. Os personagens desconfiam de todos, mas perpetuam a pureza da ingenuidade infantil – festa com os conhecidos, a venda de picolés. Um procura a mãe, outro quer se afastar. O trampolim funciona como fuga da realidade, transformando-se em catarse da diversão, da restauração da energia, das conversas sociais e do esconderijo pelo ato criminal. Não há naturalidade.

A impressão que fica é que não houve preparação do elenco. Que as cenas foram realizadas no mesmo dia da entrega do roteiro aos atores, sem ensaios e com improvisação de seqüências. Há momentos interessantes. Como a cena em que se tira o sapato pelo detalhe não simétrico, vazando a imagem; o aprofundamento sincero do personagem Feliz na praia; a camera no isopor; ou quando retrata pessoas como material bruto existencial. “A minha idade já passou” diz-se. Há repetições de clichês e caricaturas: o policial corrupto, a violência sem sentido, o surfe no ônibus, o agenciador de modelos e seu linguajar chulo, a igreja manipuladora e hipócrita, prostituição aos turistas, a historia de amor patética. “Preto correndo é pivete”, estereotipa-se. A ética busca lugar no longa, que aparece quando uma carteira roubada é achada, aceitar ou não aceitar o dinheiro? Concluindo, um filme exagerado, com narrativo mal construída, sem equilíbrio e com poucos elementos que fazem querer ir ao cinema. Portanto, esqueça.

A Sinopse

A vida nas ruas não está fácil e Felizardo, 11 anos, precisa vender seus picolés para ajudar a mãe. Num desses dias, ele cruza com Fuleirinho e sua turma. Ele se vê então numa encruzilhada entre o bem e o mal e terá que tomar uma decisão. Déo, 12, é um mestre dos saltos no trampolim. Contudo, em casa as coisas não estão nada bem e ele acaba por envolver-se numa trama perigosa, envolvendo seus amigos, a bela Tetéia e o temível Verdadeiro Tadeu, o Rei das Criancinhas.

O Diretor

Trabalha há 16 anos em vários gêneros de produções audiovisuais entre Brasil, Portugal, Espanha e Inglaterra. Foi assistente dos diretores Manoel de Oliveira, Mika Kaurismaki, Edgard Navarro, entre outros. Seu premiado documentário Agostinho da Silva – Um Pensamento Vivo, co-produção luso-brasileira, foi lançado em 2006. Há cinco anos fundou com outros sócios a DocDoma Filmes, produtora sediada em Salvador.

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    Concordo muito com o autor do texto sobre o filme de João Rodrigo Mattos. Acredito até que João tivesse boas intenções ao contar a história dos meninos, filhos da hipocrisia social. Porem desconhecer que os cenários são da cidade do Salvador(BA), o autor diz Recife(PE), deixa muito a desejar na construção do texto crítico.

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