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Ficha Técnica

Direção: Edgar Wright
Roteiro: Michael Bacall e Edgar Wright, Baseado em Graphic Novel de Edgar Lee O’malley
Elenco: Michael Cera, Mary Elizabeth Winstead, Kieran Culkin, Chris Evans
Fotografia: Bill Pope
Figurino: Laura Jean Shannon
Edição: Jonathan Amos E Paul Machliss
Efeitos Especiais:double Negative / Mr. X
Produção: Nira Park, Eric Gitter, Marc Platt e Edgar Wright
Distribuidora: Universal Pictures
Duração: 112 Minutos
País: Estados Unidos
Ano: 2010
COTAÇÃO: BOM

A opinião

Entender o estilo, utilizado pelo diretor Edgar Wright em seu mais recente filme “Scott Pilgrim Contra o Mundo”, é necessário o conhecimento prévio de seus trabalhos anteriores. O longa transpõe à tela o universo dos jogos de computador, contado por uma narrativa de quadrinhos. Wright imprime um estilo próprio, já referenciado no seriado inglês “Spaced” e por ter trabalhado com Quentin Tarantino e Robert Rodriguez. O espectador percebe a linha sarcástica – debochada – desde o início do filme, com a música – tom de um jogo tipo “Pack man” – logo no primeiro crédito da abertura (Universal Pictures). Daí em diante, a narrativa apresenta-se ágil, dinâmica, interativa – textos (legendas), setas e pausas de efeito – e extremamente verborrágica – em seus diálogos, ações, reações e cameras angulares, com imagem dividida mostrando duas ao mesmo tempo. “Você é bom em que?”, ela pergunta. “Essa pergunta é difícil”, responde-se. O humor perspicaz soa natural.

Isso faz com que seja mais um elemento positivo ao roteiro. Scott Pilgrim (Michael Cera, de “Juno”) tem 23 anos, integra uma banda de colégio, vive trocando de emprego e tem um namoro firme. Sua vida está maravilhosa, até conhecer Ramona V. Flowers (Mary Elizabeth Winestead). Ele logo se apaixona perdidamente por ela, só que não será fácil conquistar seu amor. Para tanto ele precisa enfrentar os sete ex-namorados dela, que estão dispostos a tudo para impedir sua felicidade com outra pessoa. A sinopse – baseada na história em quadrinhos Scott Pilgrim Volume 1: Scott Pilgrim’s Precious Little Life, de Byran Lee O’Malley – acima torna o filme mais interessante do que realmente é. O que o prejudica é o excesso. Tudo é muito. Repetem-se elementos à exaustão. A abertura oficial, com os créditos propriamente ditos, alude a negativos envelhecidos de películas, sendo impossível não referenciar às técnicas de Tarantino e seus amigos. Scott conhece uma garota de 17 anos. Eles conversam sobre músicas, blogs, jogos. Então, o roteiro confunde para explicar. Uma ação gera uma reação diferente. Recurso competente e incrivelmente interessante, por misturar sonho e realidade, com ou sem flashbacks. As metáforas estão presentes, como a porta desconhecida. Ele conhece uma garota em seus sonhos, fica obcecado e decide terminar com a “imitação de namorada” (termo que os amigos chamam). Com termos “ataque de abraço”, “medidor de xixi”, “orgasmo nerd”, usa e abusa do surrealismo interativo.

Há tipos cotidianos. O amigo gay (Kieran Culkin, irmão de Macaulay Culkin). A namorada ciumenta. Os ex-namorados disputando o que perderam. “Piratas estão na moda agora”, diz-se entre “poderes místicos” e números musicais”. Há cenas que viram um seriado de televisão de comédia, com direito a risadas e tudo. “Ela é impulsiva, inconstante, espontânea”, define-se. “Eu fico meio chapado quando estou com você”, assume-se. Entre batalha de baixos, fluidos musicais e Vegans (os que não comem nada ligado a quem tem rosto), Scott briga com tudo e todos (incluindo ele mesmo). “Diversão? Em Toronto”, diz-se gerando uma nova guerra. Pode ser entendido como o jogo da vida de cada um e as batalhas diárias que se precisa vencer. Ganha-se vida extra no jogo ao se falar a verdade. A auto-estima elevada então define o merecedor. Concluindo, é um filme específico: aos jovens e aos acostumados com jogos de computadores. Cria a atmosfera atual, porém datada de uma época que se insere no contexto do presente, com excessivas referências ao mundo pop. Como já disse, o longa peca pelo excesso, repetindo elementos, corroborando negativamente as ideias criativas apresentadas. Recomendo, com ressalvas.

O Diretor

Edgar Howard Wright nasceu em 18 de abril de 1974, em Poole, Dorset. Começou a dirigir seus próprios filmes aos 14 anos de idade, enquanto frequentava a escola The Blue School, Wells em Somerset, e trabalhava na atração turística Wookey Hole Caves. Com 20 anos ele fez uma paródia western, “A Fistful of Fingers”, que teve um lançamento limitado nos cinemas e transmitido pelo canal britânico da TV via satélite Sky Movies. Em 1999 ele se juntou a Simon Pegg e Jessica Hynes para a criação da série “Spaced”, sobre relacionamentos entre nerds, um olhar incomum para a sitcom gênero, com ângulos de câmera dramáticos e movimento emprestado da linguagem visual de ficção científica e filmes de terror.Wright faz um esforço ativo para mostrar a sua referência, adicionando um “Homenagem-O-Meter” para todos os seus lançamentos, um dispositivo que exibe cada gesto na direção que ele fez durante a filmagem. Em 2002, ele fez aparições como um cientista e um técnico chamado Eddie Yorque durante duas séries de “Look Around You”, um programa da BBC criado por um membro do Spaced, Peter Serafinowicz. Ele também fez uma breve aparição no Spaced, no qual ele pode ser visto, juntamente com outros membros da tripulação da série, que jaz adormecido em Daisy Steiner enquanto ela se prepara para deixar a sua casa nova. O sucesso de Spaced pavimentou o caminho para Wright e Pegg para passar para a tela grande com “Shaun of the Dead”, uma zombie comedy que mistura um “flick Brit”, comédia romântica com homenagens aos clássicos do horror. Escreveu um thriller de ação “Hot Fuzz”. A produção começou em março de 2006, o filme foi lançado em 2007. Gira em torno do caráter de Pegg, Nicholas Angel, um policial que é transferido de Londres para Sandford rural, acontecendo terríveis eventos. Wright dirigiu dois vídeos para sua ex-namorada Charlotte Hatherley: “Verão” e “Bastardo”. Dirigiu também uma inserção trailer falso de Quentin Tarantino e Robert Rodriguezé Grindhouse. Chamado de “Não”, foi um reboque sem enredo que zombaram horror clichês, com frases como “Se você está pensando … … … de ir para esta casa … … … NÃO! ” Foi oferecido a direção de Missão: Impossível IV antes de Brad Bird. Wright tem um irmão, Oscar, que é um artista de quadrinhos, contribuindo com storyboards, artes conceituais e fotos promocionais. Ele menciona Jon Spencer Blues Explosion como sua banda favorita.

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