Rocketman

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Um filme que já nasce estrela

Por Fabricio Duque

Durante o Festival de Cannes 2019

Com a emoção restabelecida após um emocional e passional vídeo (que pode ser conferido na fanpage do Vertentes do Cinema), agora minhas percepções críticas podem ser discorridas sobre a biografia do cantor inglês Sir. Elton John. Exibido na mostra fora de competição do Festival de Cannes 2019, “Rocketman” é uma apoteótica experiência visual, conduzindo o público a uma epifania emocional, mitigada de clichês e gatilhos comuns característicos. O arrepio que sentimos é natural, puro, espontâneo e de forma alguma forçado. É uma biografia com liberdade de existir e de abordar os temas polêmicos, como sua relação familiar; seu vício por álcool, drogas e sexo; sua homossexualidade.

“Rocketman”, dirigido por Dexter Fletcher (famoso por seu protagonismo em “Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes”, de Guy Ritchie, e por ter pego a rebarba da direção de “Bohemian Rhapsody”, que inicialmente era de Bryan Singer, e que o filme em questão aqui é constantemente comparado). Ainda que o ator Taron Egerton (de , que encarna a figura de Elton John cantando as músicas sem a opção da dublagem – um pedido pessoal do próprio biografado (sim! Taron canta todas as músicas – e muito bem  por sinal), este é completamente diferente. Talvez esta aproximação se dê pela semelhança da vida dos artistas, que padeceram de solidões e carências afetivas.

O longa-metragem, roteirizado por Lee Hall (de “Cavalo de Guerra”, de Steven Spielberg; “Billy Elliot”, de Stephen Daldry), mantém uma atmosfera inglesa com seu humor ingênuo-passional-agressivo, que assim consegue traduzir os altos e baixos de Elton Hercules John, nascido em Londres como Reginald Kenneth Dwight, em 25 de março de 1947.

“Rocketman” constrói sua narrativa por uma fábula realista, passando por épocas importantes da vida de Elton, embaladas por números musicais completos de suas composições, à moda de filmes como “Moulin Rouge – Amor em Vermelho”, de Baz Luhrmann (que conta com a canção “Your Song” na trilha sonora); e “Grease – Nos Tempos da Brilhantina”, de Randal Kleiser. Suas apresentações dançantes vão do início ao fim, diferente de “Bohemian Rhapsody” que corta para inserir elementos dramáticos.

Como foi dito, é um filme emocionante, que desperta nossa emoção mais sincera, talvez pela liberdade de seu diretor em dosar com maestria o drama, o alívio cômico e a energia emante das músicas, sendo ajudado em graça e talento da interpretação impecável e precisa de Taron Egerton, que se entrega sem puritanismo e sem medo da volta, tanto que se olharmos para ele só conseguimos visualizar Elton John. Essa é a diferença entre atuar e ser.

“Rocketman” é uma biografia à altura quando condensa imagem e sensação; estética e conteúdo; intimidade e espontaneidade; visibilidade e vulnerabilidade; não tentando mudar a essência, tampouco ressignifica-la, mas respeitar o que Elton foi e o que passou, visto que o passado não pode ser mudado. Ser verdadeiro é a melhor arma do filme a sua humanização e desmistificação pressurizada. Essa é a diferença entre biografia e projeção.

Nós embarcamos na força de suas letras pessoais que traduziram sua vida. A obra de Elton transcende o gostar ou não. Ele é um Rocketman (título de uma de suas músicas). É um Showman do entretenimento. Ao aparecer com as vestimentas espalhafatosas, consegue caminhar pelo excêntrico (um que de Liberace) a fim de fazer com que as pessoas saem de seus corpos e voem com a potência primitiva das sensações emanadas de suas músicas no palco.

“Rocketman” é um presente ao Elton John. Uma terapia eternizada. Pela ponto de partida de uma sessão confessional dos Alcoólatras Anônimos, que o liberta do passado para continuar no presente. É curioso como parece que as vidas de todos os artistas são iguais, sofrendo as mesmas questões com as mesmas causas e consequências. Por isso sua vida seja tão constantemente comparada a de Freddie Mercury.

Elton colocou todas as suas angústias em suas músicas catárticas e com atitude esperançosa. É o “Ciclo da Vida”, um “Rei Leão”. Limpou sua alma. Essa sessão faz com que lave a roupa com seus próximos. Perdoar cada um e seguir em frente. Sendo espalhafatoso, diferente, estranho. Não mais aceitar migalhas afetivas e encontrar seu amor príncipe. Mais que merecido: Elton John foi agraciado com o título de Sir. pela Rainha. Sim, confesso que esta crítica está sendo realizada entre lágrimas. Até agora não sei mesmo a intensidade deste filme único e impecavelmente obrigatório!

Ps: essa crítica será complementada quando o Festival de Cannes terminar!

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