Prévias da Mostra de Cinema de Ouro Preto 2019

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Prévias, novidades e expectativas

Por Vitor Velloso

Em um momento onde a recusa da cultura, da História e da educação torna-se pauta primária de medidas estatais, a Mostra de Cinema de Ouro Preto nos mostra que à contramão da homogeneidade social, temos o cinema. Tendo como temática nesta 14ª edição da Mostra:“Territórios regionais, inquietações históricas”, a proposta de reflexionar acerca do audiovisual e de proposta didáticas que permeiam a preservação e a manutenção histórica de nossa sociedade (e arte), se mantém.

A partir da temática podemos conceber a contemporaneidade do pensamento da Mostra, pois à influência regional em um cenário nacional, é imensa. Não apenas por uma perspectiva cultural, mas a potência de questões regionais é latente até mesmo no eixo Rio-SP, exemplo alguns canais que possuíam mais audiência que a Rede Globo em determinadas localidades do Rio, canais estes que são regionais (nordestinos). E pensar em produções locais que procuram manter a identidade de sua região é de uma necessidade tamanha no momento político que vivemos atualmente, onde a segregação não é apenas uma palavra de ordem, mas a única solução possível para o fortalecimento de dimensões tão ideológicas.

O tema é dividido em três eixos que se dividirão em filmes, palestras, debates, oficinas etc.   “Temática Histórica”, “Temática Preservação” e “Temática Preservação”. Abaixo as explicações diretas de cada uma retirada do site da Universo, produtora do festival:

“A Temática Histórica, com curadoria de Francis Vogner dos Reis e Lila Foster, vai destacar núcleos de produção regionais que, na força territorial de suas geografias, romperam as barreiras e fronteiras do eixo Rio-SP, ainda que muitas vezes abafados pela historiografia tradicional. Algumas das experiências a serem destacadas estão na Porto Alegre dos anos 1980, com a fundação da Casa de Cinema; em trabalhos coletivos, como o Grupo Mel de Abelha, do Piauí, e a Corcina (Cooperativa dos Realizadores Cinematográficos Autônomos), do Rio de Janeiro; e eventos de formação e compartilhamento, como a Jornada de Cinema da Bahia, os festivais de Super-8 nos anos 1970 e o Cineclube Antônio das Mortes, de Goiás.

Na Temática Preservação, a proposição será “A regionalização e a formação do patrimônio audiovisual brasileiro”. Com curadoria de Ines Aisengart e José Quental, o recorte destacará novas ações e políticas regionais direcionadas à preservação do patrimônio audiovisual brasileiro tendo por base os arquivos regionais mantidos descentralizados. Quais são os desafios enfrentados por instituições de salvaguarda que não estão no centro das ações públicas federais? Nesse percurso, os debates pretendem investigar a construção do território e da noção de “regional” numa perspectiva histórica. Entre as periferias e o centro do poder econômico, político, cultural, de que forma se quer e se pode construir um patrimônio audiovisual?

Na Temática Educação, com curadoria de Adriana Fresquet e Clarisse Alvarenga, o enfoque é “Mulheres: terras e movimentos”, e tem o propósito de refletir sobre a atuação das mulheres no campo do Cinema e da Educação, tendo como ponto de partida o vínculo com a terra, com os territórios e espaços que elas ocupam na sociedade. A seleção de filmes da Mostra Educação e os Projetos Audiovisuais Educativos que serão apresentados no evento abordam as intervenções das mulheres desde os lugares específicos onde vivem, no ambiente doméstico, familiar, privado, e também as intervenções que elas empreendem nos espaços públicos, incluindo escolas, cidades, aldeias indígenas, quilombos, organizações da sociedade civil ou instituições públicas, urbanas, do campo, indígenas ou quilombolas.”

O Cine OP que toca em questões de preservação, manutenção histórica e educação, como já dito anteriormente, escolhe anualmente uma pessoa para homenagear durante a Mostra. Este ano o homenageado será o baiano, Edgard Navarro autor de filmes como “Superoutro” (1989), “Exposed” (1978) e “Abaixo a Gravidade” (2018). A autoria do cineasta será festejada através de seu olhar iconoclasta e único, capaz de atravessar o ecrã e projetar a cultura. Ao longo da mostra serão exibidos: “O Rei do Cagaço” (1977), “Porta de Fogo” (1982), “Lin e Katazan” (1986), “Talento Demais” (1995) e “Abaixo a Gravidade” (2018), além da noite de abertura, dia 06, que haverá exibição de “Superoutro” (1989) e “Exposed” (1978).

Francis Vogner destaca:

“Ele tem uma carreira sólida, desde os anos 1970 e passando por todas as outras décadas, com uma grande produção em Super-8 e curtas-metragens. Essa carreira é uma súmula do modernismo brasileiro, passando pelo tropicalismo, Cinema Novo, underground, música popular e psicanálise”

“Assistir aos filmes do Navarro hoje, no momento em que estamos vivendo no Brasil, é muito esclarecedor e profético. Ele parecia indicar, desde seus primeiros trabalhos, um recalque do autoritarismo brasileiro, pela via fálica, que se manifestou como exercício de poder durante o regime militar e que voltou com força recentemente”.

Além das atividades acima, haverá uma Mostra Contemporânea, Cine-Escola e Mostrinha, tendo as duas últimas um público-alvo infantil e infanto-juvenil.

O Vertentes do Cinema fará cobertura completa da 14ª Mostra de Ouro Preto, com publicações diárias, críticas, entrevistas, cobertura dos debates, vídeos, fotos e muito mais. Fique ligado no site!

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