Pets – A Vida Secreta dos Bichos 2 | Crítica

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Compromisso e fragilidades

Por Vitor Velloso

As animações são recursos mercadológicos que possuem um público específico, com uma faixa etária que nunca se mantém, logo, a reciclagem na temática e na forma é uma necessidade constante desta indústria. Partindo dos autores em si, a questão ganha outros contornos, ela pode ser uma tentativa de trabalhar questões morais ao público infantil, uma flexibilização de políticas internacionais sendo passando de maneira diluída à criançada entre outras possibilidades.

“Pets – A Vida Secreta dos Bichos 2”, dirigido por Chris Renaud é uma continuação direta do primeiro, sendo assim, com a continuidade “dramática” dos personagens, agora abordando um outro momento que vai compreender uma amadurecimento imposto à vida de Max (Patton Oswalt), o nascimento de um bebê que ele terá que conviver.

A narrativa em si, se inicia em sua proposta mais formulaica e clichê possível, apelando constantemente para questões emocionais, que tentam ganhar o público através do afeto entre um bebê e um cachorro. E conseguem. É possível amolecer diante do desenvolvimento da criança e o apego maior que o animal vai ganhando por ela, porém, quando o eixo narrativo se divide em diversas tramas, é quando perde-se muita força no projeto, quase arruinando-o. Primeiramente, personagens com um carisma imenso, como Gidget (Jenny Slate), viram coadjuvantes de terceira. Em seguida o longa aposta em sketches isoladas, que vão funcionar parcialmente, mas que inicia um processo de descaracterização da própria história em si. Abre-se uma construção onde Gigi deve proteger uma bola, outro onde Max viaja, outro onde o Bola-de-Neve (Kevin Hart) e Daisy (Tiffany Haddish) devem salvar um tigre branco. As diversas insistências em fragmentar essa jornada em blocos que deveriam funcionar isoladamente, ao menos de forma cômica, acaba forçando o projeto à um deslocamento imenso com o público, que não se sente parte de uma aventura que não possui uma diretriz minimamente coesa, pois as histórias paralelas não possuem ligação, nem dramática.

A abertura, demonstra uma necessidade de transformar alguns personagens em potências maiores nas vendas e construir outros, ainda que de modo passageiro, como Rooster (Harrison Ford), que apesar de funcionar de modo bastante carismático durante sua breve passagem, serve de imposição moral e cultural de uma sociedade ruralista norte-americana, onde a virilidade é uma questão intrínseca do dia-a-dia e a rigidez de determinados atos se dão através de uma atitude necessária. É a clássica questão que imperou o cinema estadunidense por… todos seus anos. Felizmente, por tratar-se de um produto que irá dialogar com maior facilidade entre os próprios estadunidenses, o impacto aqui não será tão drástico.

Alguns recursos formais, quanto a produção da animação tem lá seus méritos em ser confortável de se assistir, as movimentações dos personagens não são nada realistas mas possuem em seu design um carisma intrínseco àquele universo onde as possibilidades sempre beiram o absurdo. Algumas limitações auto impostas são de caráter duvidoso, cedendo algumas questões morais que situa a obra em um campo problemático, pela espacialização que permite inicialmente e desfaz por um comodismo de localizar-se na ficção que cria para si. Exemplo disso é o tigre branco não conseguir se comunicar com os outros animais, pois os mesmos não compreendem animais selvagens. A justificativa é bastante grosseira se imaginarmos que trata-se um longa onde a permissão e união dos animais, centraliza a narrativa. Sendo assim, assumir uma barbaridade, visão eurocêntrica mesmo, nos animais selvagens é de um afastamento grave de sua proposta inicial. Além do mais, o vilão, que pode ser apontado como o dono do circo que maltrata o tigre, não possui construção alguma, que poderia ser encarado como uma negação à humanização de uma figura tão podre, mas acaba tornando-se uma questão à ser apresentada às crianças, que é introduzida em superfície e termina na mesma.

Por fim, “Pets – A Vida Secreta dos Bichos 2” é inferior ao primeiro não porque suas qualidades não alcançaram alguma expectativa, mas por apostar mais nas fragilidades do antecessor e abrir compromisso com as crianças em perspectiva bastante questionável por vezes.

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