Perifericu

Eu Acho que….

Por Vitor Velloso

Crítico convidado pela Mostra de Tiradentes 2020.

Manifesto que rasga a bandeira da arminha na mão, veste preto e grita em dúvida daquele que supostamente deveria acolher a todos.

“Acho que te deu um branco na hora que me escolheu”

“Perifericu” é rasgo de moralismo e preconceito dos valores que o patriarcado segue perpetuando essa herança que o país insiste em brindar. Nay Mendl, Rosa Caldeira, Stheffany Fernanda e Vita Pereira assinam a direção, demonstrando que a unidade capitalista de estrutura da produção cinematográfica é fruto de uma necessidade de destaque único e individual. A direção conjunta demonstra para a 23ª Mostra de Tiradentes que a ocupação do ecrã é fruto de um trabalho árduo de sobrevivência e provocação de existência frente a um mundo que insiste em concretizar um corpo único.

Uma das temáticas abordadas diretamente pelo curta-metragem é a voracidade da Igreja Neopentecostal (evitando nomear) em sufocar a vida das pessoas e criar uma voz uníssona diante da sociedade, padronizando o âmbito social. Sem diferenciar uma vírgula, as ofensivas das Forças Armadas, buscam o mesmo modelo de população e a estratégia é exatamente igual: forçar um estereótipo e um modelo a ser seguido enquanto agride todas as divergências que possui com qualquer movimento de emancipação. A reação de uma das personagens, ao mostrar a popa de sua bunda enquanto recebe xingamentos, é a definição da luta de todas as pessoas que subiram no palco para receber o Prêmio Canal Brasil de Curtas. Além, da denúncia do preconceito sofrido na cidade de Tiradentes e da repressão ao funk na saída do Cine-Tenda quando da exibição.

“Perifericu” é a expressão necessária para este momento político que o Brasil atravessa. Ecoa no público e castra de argumentos, por mal ou por mal, na ironia ou no deboche, dessa classe normativa e esbranquiçada (e decadente), que acredita estar no controle dos corpos de cada um na sociedade, mas esqueceu que no cinema, Nay Mendl, Rosa Caldeira, Stheffany Fernanda e Vita Pereira seguem fazendo filmes e continuarão ocupando as telas.

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