Ouça a Batida das Nossas Imagens

As imagens históricas e suas subjetividades

Por Vitor Velloso

Durante o Olhar de Cinema 2021

“Ouça a Batida das Nossas Imagens”, de Maxime Jean-Baptiste e Audrey Jean-Baptiste, parte de uma subjetividade cada vez mais frequente nas obras que procuram interiorizar debates materiais. Sem se distanciar dos filmes que partem de um ponto reflexivo particular para encontrar uma temática que possa ser debatida fora a catarse rasteira, o curta até possui alguns momentos que são capazes de gerar alguma discussão fora da sessão, mas nem seu material de arquivo, nem boa parte das pontes criadas entre Argélia e Guiana conseguem captar o espectador a ponto de levantar um diagnóstico que não se encerre no velho academicismo dos fluxos imagéticos.

A maior questão aqui é a generalização da violência, da colonização e da brutalidade do imperialismo aliado à suposta modernização do neoliberalismo. É um sintoma do cinema contemporâneo, a particularidade retirada do contexto para ser debatida entre essas imagens que criam uma sequência de reflexões. O exercício até pode gerar algumas expressões curiosas, mas nunca é capaz de chegar à categorização das particularidades de cada um dos casos denunciados, ou a própria percepção do que é isso. Trabalhando nessa desarticulação dos contextos determinados, a coisa toda funciona em uma nota que parece trabalhar um significado muito vazio dos próprios termos que procura desenvolver ou expor. “Ouça a Batida das Nossas Imagens” é mais um projeto europeu que pouco se distancia das dezenas que são exibidos aos montes anualmente, ainda que procure falar de uma denúncia social relevante, se encerra no senso comum.

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