A Imaginação como Potência: Perspectivas da Curadoria
TIRADENTES/MG – 23ª MOSTRA DE CINEMA DE TIRADENTES – Seminário a Imaginação como potência – Perspectivas das curadorias. Foto Netun Lima/Universo Produção

Os Seminários da Mostra de Tiradentes 2020

Seminários temáticos discutem a existência do cinema

Por Vitor Velloso

O debate sobre a temática da 23ª Mostra de Cinema de Tiradentes: “A Imaginação como Potência: Perspectivas da Curadoria”, que ocorreu no sábado, contava com a presença dos curadores, Camila Vieira, Lila Foster, Pedro Maciel Guimarães, Tatiana Carvalho Costa e mediação de Francis Vogner dos Reis, coordenador curatorial.

A conversa falava sobre parte do momento político do Brasil e a necessidade do cinema se reinventar em momentos tão turbulentos quanto esse. A tônica do debate foi tratar de como o governo vem minando as possibilidades gerais artísticas e a resposta estética que vem sendo dada, principalmente com essa imaginação que ultrapassa um realismo comumente associado a esse tipo de momento, ou seja, as ficções ganham contornos ainda mais fantásticos e as dramatizações das relações dos personagens são obrigadas a traçar outros rumos.

Igualmente como a maioria dos últimos debates dos festivais brasileiros, o clima de desesperança com o cenário geral, reina. E aqui, puxo diretamente para outro debate que ocorreu na segunda, com a temática: “Viver de Cinema: Da Macro à Micropolítica” com a presença de Eduardo Valente – Cineasta e Curador, Jean-Claude Bernardet – ator e cineasta, Luana Melgaço, produtora, com mediação de Lila Foster, curadora. Nesta conversa o tom era ainda mais desolador, Bernardet em especial falava com desânimo sobre o futuro do cinema brasileiro e pautava junto aos outros convidados, como essa necessidade do capital para a produção de cinema vai interromper gravemente parte do fluxo daquilo que chega às telonas.

Após este momento, uma das pessoas da plateia, pede o microfone para falar sobre um projeto que vem tocando, onde há um teto financeiro para as produções que trabalha e que, quando possível, urge em realizar alguma obra com “zero orçamento”. A mesa ignorou a fala do rapaz e seguiu em seu discurso melancólico de tempos de ouro que nunca existiram, mas que fazem falta devido a mudança dos últimos anos. E toda essa questão deve ser debatida diretamente acerca das possibilidades diversas que essa tentativa de sufocamento do cinema nacional, traz. Em diversas conversas informais com curadores da Mostra, o consenso da postura futura que deve ser assumida no país, trata diretamente da verve que se deve aplicar nas produções, tanto na estética quanto na feitura, pois se há dificuldade e o enclausuramento das direções, porque não recorrer a produção marginal? Assim como um dia foi o norte brasileiro. Porque não, buscar novos meios de distribuição e principalmente exibição?

Não sejamos ingênuos, as pessoas tem que pagar suas contas, mas se não há produção artística no Brasil por conta dessa necessidade capital, a arte morre junto com quem a produz. Direto da Mostra de Tiradentes.

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