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Os Caras Malvados

Perseguições e legado

Por Vitor Velloso

Os Caras Malvados

“Os Caras Malvados” é uma boa surpresa em meio à uma série de estreias decepcionantes da primeira metade de 2022. A animação dirigida por Pierre Perifel teve sua exibição para a imprensa na versão dublada e a decisão foi cirúrgica, já que o elenco de dubladores é bastante conhecido pelo público brasileiro, contando com Agatha Moreira (Governadora Diane Raposina), Sergio Guizé (Sr. Cobra), Babu Santana (Sr. Tubarão), Luis Lobianco (Sr. Piranha), Nyvi Estephan (Srta.Tarântula) e Isabela Quadros (Misty).

Baseado na série de livros Scholastic, de Aaron Blabey, o filme conta a história de um grupo de criminosos que após um assalto desastroso precisa provar para a sociedade que podem ser bonzinhos, com a ajuda do Professor Marmelada, o filantropo da cidade. Com essa breve sinopse, “Os Caras Malvados” pode gerar algum desconforto em possíveis interpretações morais e políticas do espectador. Contudo, a obra não pretende desenvolver uma possível ambiguidade, ou mesmo trabalhar em favor de um dos lados. Então, fica claro que o maior objetivo aqui é a diversão. Por certo, o longa faz isso muito bem, especialmente com a dublagem que gera algumas piadas um tanto desconfortáveis com o nome de alguns dos personagens. Além disso, a maneira que o “conflito” humano x animal é desenvolvido, cria uma série de situações inusitadas para os planos dos protagonistas, como as reações involuntárias das caldas e a demonstração de afeto iminente.

Com o fim de criar estímulos visuais para as crianças, o universo colorido é capaz não apenas de abraçar a ideia da multiplicidade dessa cidade, e sua riqueza, mas também de contextualizar como a metrópole que encontra esperanças na figura filantrópica e na “nova política” promovida pela governadora. Essa construção privilegia a separação dos universos de seus personagens através das possibilidades e da diferente iluminação dos ambientes por eles frequentados. Não por acaso, quando chegamos no estilo de vida levado pelo Professor Marmelada, há um claro encantamento por suas posses que prioriza uma montagem que atravesse todo o cenário e sua grandiosidade. E a fluidez da imagem se distancia daquela velocidade dos crimes e perseguições que estavam vigentes até aquele momento.

Porém, o que consegue tornar “Os Caras Malvados” um projeto realmente divertido, é a relação dos personagens, suas intrigas e conflitos internos. Toda a dinâmica envolvendo o Sr. Cobra, Lobo e Tubarão possuem seus altos e baixos nas mudanças vividas por cada um. Por consequência, alguns outros membros da gangue acabam tendo um tempo de tela menor, ainda que sejam particularmente interessantes. Srta. Tarântula é uma personagem que apenas aparece em situações de ação e o Sr. Piranha é tido como um alívio cômico que atrapalha nos momentos decisivos. Essa redução dos personagens prejudica um pouco o carisma da obra, mas não compromete a experiência.

Visto que a fluidez dos movimentos centrais é crucial para que o espectador se sinta parte dessa caracterização, a física exagerada e o humor físico de determinadas situações são bons adicionais para o filme, capacitando alguns absurdos megalomaníacos da reta final, onde a montagem acelera vertiginosamente para transitar entre as tomadas gerais e os detalhes, algo típico em obras com grandes perseguições e rivalidades. Por fim, a grande reviravolta não poderia faltar, contando com alguns flashbacks que explicam as resoluções finais e as possibilidades para uma franquia ou mesmo um desfecho digno para essa aventura com personagens tão marcantes.

Divertido, dinâmico e com um bom ritmo de projeção, “Os Caras Malvados” é um filme com potencial para conquistar seu público alvo com alguma facilidade e deve fazer sucesso nas bilheterias nacionais. A excelente dublagem contribui fortemente na experiência, com vozes que se encaixam com seus personagens. Dessa forma, é uma boa surpresa em um calendário tímido, podendo garantir a diversão da família nas salas de cinema, ainda que possua algumas concorrências fortes dos recentes lançamentos. Infelizmente o longa irá competir com o nacional “Tarsilinha”, espero que a sessão dupla seja possível.

3 Nota do Crítico 5 1

Trailer

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