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O Projeto Adam

Deadpool ataca novamente

Por Bernardo Castro

Netflix

O Projeto Adam

O conceito de viagem no tempo vem fascinando as mentes mais férteis da ficção científica há mais de um século, quando H.G. Wells escreveu sua Magnum opus “A Máquina do Tempo”, tendo sido teorizadas por grandes estudiosos da física como o falecido Stephen Hawking. É impossível não se impressionar com as tramas complexas, repletas de paradoxos e relações de causalidades confusas. Partindo dessa ideia, o diretor Shawn Levy, com produção e protagonismo de Ryan Reynolds, dupla responsável pelo recente “Free Guy”, repetem a colaboração no mais novo filme da Netflix “O Projeto Adam”, que estreou dia 11 de março.

Nele, é apresentada a história de Adam, um garoto de 12 anos, que recentemente perdeu o pai. Durante esse processo, ele encontra uma versão sua do futuro, que o convida para uma aventura através do contínuo espaço-tempo, com o intuito de derrotar uma força nefasta que subjugou a humanidade no futuro próximo. “O Projeto Adam” é um retrato cômico, porém sensível do luto e é bem-sucedido ao trazer à apreciação as etapas do processo. Ele explora o personagem principal Adam, interpretado tanto por Reynolds quanto pelo jovem Walker Scobell em um de seus primeiros papéis na carreira, em uma jornada de assimilação da morte de seu pai, encontrando em seu caminho a irreversibilidade do tempo. Esses temas são bem explorados nas camadas mais herméticas da narrativa e têm êxito ao desnortear o espectador com a quantidade massiva de elementos de ficção científica e enredamentos da viagem no tempo.

Nessa leva de trabalhos recentes, como “Alerta Vermelho”, Ryan Reynolds recicla os mesmos trejeitos, entonações e artifícios cênicos de seu papel em Deadpool. Como é possível intuir, ele repete a dose no novo longa da Netflix, dando a impressão de que, mesmo levando em conta a prodigalidade de suas aparições dos últimos meses, não há um esforço para entregar novas atuações nos diferentes projetos. O ator mirim que dá vida à versão mais nova do protagonista segue a mesma linha de atuação, sendo limitado aos maneirismos “deadpoolianos”, mas conseguindo entregar uma interpretação satisfatória em virtude de tais restrições.

Assim como toda boa obra de ficção, o investimento em efeitos especiais é extenso e justifica o orçamento de 175 milhões de dólares, similar ao orçamento do último filme de Christopher Nolan “Tenet”. De fato, o trabalho não deixa muito a desejar, fazendo de “O Projeto Adam” produto da Netflix visualmente encantador como um todo. As naves espaciais e bastões de luz são muito bem desenhados se considerada a aparição constante dos objetos. No entanto, há algumas cenas ou sequências onde a implementação da computação gráfica falhou penosamente. Exemplo disso é a tentativa de rejuvenescer a atriz que personifica a vilã Maya Sorian. É válido reconhecer a inventividade dos responsáveis pelos efeitos especiais, mas a montagem trouxe um tom artificial desnecessário e despertou um mal-estar nos espectadores durante as cenas em que esta versão computadorizada rejuvenescida da atriz Catherine Keener está presente.

De uma perspectiva narratológica, “O Projeto Adam” entrega-se à clichês e conveniências hollywoodianas que o empobrecem como história. Os poucos lampejos de originalidade são escassos ou até mesmo inexistentes. As reciclagens não param na atuação de Ryan Reynolds, se estendendo ao âmbito da construção do universo fictício, que por muitas vezes vai além da mera inspiração nos clássicos sci-fi. Como se não fosse o suficiente, ele constantemente apela para piadas e tiradas de humor negro advindas de outros filmes do protagonista, principalmente a franquia já muitas vezes citada nessa crítica “Deadpool”, que passam um pouco do limite do sensato em certas ocasiões e causam no mínimo um desconforto em quem assiste. Quando não causam nenhum desconforto, empobrecem os diálogos e cortam o laço de envolvimento com a narração.

Como filme mainstream, “O Projeto Adam” cumpre o seu papel de fornecer divertimento e entretenimento para os espectadores médios que compreendem a falta de pretensão do filme de ser uma obra-prima vanguardista da sétima arte. Apesar dos clichês em demasia, se enquadra plenamente na categoria dos filmes-pipoca e proporciona aos assinantes do serviço de streaming uma oportunidade de reunir toda a família, ensinando o valor do tempo e que, ao invés de concentrar esforços para corrigir seus erros passados, a humanidade como um todo deve aprender a apreciar o presente.

2 Nota do Crítico 5 1

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