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O Homem do Norte

Ser ou não ser

Por Bernardo Castro

O Homem do Norte

Como visto no comentário da usuária Ana, realmente o texto original baseia-se na obra de Saxão, o Alto. Pedimos desculpas pelo erro e assim como esclarecemos que o corrigimos.

 

Lord, we know what we are, but know not what we may be.

— Hamlet, Ato IV, Cena V

 “O Homem do Norte”, a mais nova empreitada do aclamado diretor americano Robert Eggers, conhecido pelo seu trabalho pregresso em “O Farol” e em “A Bruxa” e pela sua vindoura refilmagem do clássico “Nosferatu” – adapta a história de Amleth, presente no Gesta Danorum de Saxo Grammaticus, ambicioso trabalho historiográfico dinamarquês do século XII. Coincidentemente, esta narrativa também inspirou “Hamlet”, a famosa peça de William Shakespeare – recentemente, outra peça do autor inglês, “A Tragédia de Macbeth”, ganhou uma adaptação da produtora A24, estrelada por Denzel Washington.

Por uma escolha artística acertada, Eggers leva a história do príncipe nórdico imbuído pela sede de vingança para longe do garbo shakespeariano, resgatando a essência do enredo original. Ambientado em uma Escandinávia medieval habitada por vikings e fortemente influenciada pelas crenças daquela população, o filme conta com doses exorbitantes de visceralidade, uma vez que o diretor não se exime de apresentar integralmente a brutalidade e a lascívia que cingiam os povos do norte. Cenas de nudez, eventuais tripas caindo e decapitações aparecem algumas vezes ao longo das duas horas de duração – um adendo para que pais não deixem seus filhos menores assistirem.

No entanto, tal visceralidade, mesmo que não comedida, é contida de forma a não afetar a qualidade da história. As constantes referências a deidades nórdicas nos ajudam a compreender o modus operandi, o ethos que guia as ações dos personagens. É interessante o desenvolvimento de cada personagem, em virtude da profundidade que ganham ao decorrer da obra. O grande antagonista de “O Homem do Norte”, o tio de Amleth, por mais que tenha cometido as atrocidades que culminaram no grande arco de vingança do protagonista, é descrito como homem bondoso pela mãe do príncipe, de maneira a quebrar a visão maniqueísta geralmente aplicada constantemente em produções hollywoodianas. É fácil compreender tudo isso ao perceber que as motivações estão fortemente arraigadas no credo autóctone, seja o escandinavo ou o eslavo – alguns personagens têm suas origens atribuídas a partes do leste europeu.

O elenco conta com nomes do conhecimento do público, como Nicole Kidman (“Big Little Lies”, “O Escândalo”, “Esposa de Mentirinha”), Ethan Hawke (“Antes do Amanhecer”, “Gattaca”, “Cavaleiro da Lua”), Willem Dafoe (“Aquaman”, “Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa”, “O Farol”), a cantora islandesa Björk e a dupla de protagonistas, composta por Alexander Skarsgard e Anya Taylor-Joy, tendo essa última repetido a parceria que teve com o realizador no já citado “A Bruxa”. Felizmente, as atuações não decepcionam. À Dafoe, são designados pouquíssimos minutos de tela, mas ele não vacila e dá sua característica personificação, que beira a psicopatia ou a loucura no geral. Alexander Skarsgard entrega uma interpretação descente, posto que não é cobrado nada com a pompa e o primor shakespeariano. De qualquer forma, há mérito na personificação de uma figura grosseira como o príncipe Amleth adulto. As únicas ressalvas possíveis a serem feitas são quanto ao uso forçado de sotaque por parte dos atores, que pode não aprazer alguns espectadores, e a pouca utilização dos intérpretes, que poderiam ser mais desenvolvidos. Além de desnecessário, ele afasta levemente do envolvimento com a trama.

A fotografia dispensa comentários. É imprescindível falar da qualidade da imagem, dos enquadramentos e movimentos de câmera. Fora as paisagens idílicas dos fiordes do norte da Europa, temos o uso de efeitos especiais para compor a narrativa, calcada no conjunto de crenças dos países. A sequência final do filme exemplifica muito bem o que foi dito. Vemos uma valquíria transportando o nosso herói para Valhalla após ele ter lutado bravamente contra seu tio e cumprido o destino. Fica mais do que evidente o quanto a direção de fotografia compreende o que se propõem a fazer e a sinergia que tem com Robert Eggers. O que difere “O Homem do Norte” de “A Tragédia de Macbeth”, por exemplo, é a abordagem mais voltada para a linguagem cinematográfica. Foi feita uma releitura com enfoque nas telonas, tanto na parte visual quanto no texto em si. Macbeth fica um pouco engessado no texto lido na íntegra. Ao tomar um curso oposto ao da realização da A24, o filme não dá margem para fluir entre manifestações artísticas. Porém, assegura o seu lugar no cânone da sétima arte.

4 Nota do Crítico 5 1

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  • Legal sua crítica, Bernardo. Mas cuidado, antes de publicar, faça uma pesquisa sobre a obra. Iniciar o texto já se baseando numa informação incorreta, inválida todo o resto do seu trabalho. The Northman não foi baseado na obra de Shakespeare, mas sim na de Saco Gramatticus, no livro Gesta Danorum, escrito no século XIII. Texto o qual Shakespeare também baseou seu icônico trabalho, Hamlet.
    Outra informação incorreta; Aleksander Skarsgard não faz parte do elenco de The Witch… Então não pode repetir dupla com Anta Taylor Joy.
    E fica aqui uma indagação; você assistiu o filme? Pois eu não consegui encontrar ” Cenas de nudez e sexo explícitos, além de eventuais tripas caindo e decapitações” sendo mostradas com frequência, como vc coloca. Mas de qqer forma, esse comentário é válido como um alerta, de fato menores não devem ser levados à assistir ao filme.

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