Anuncie no Vertentes do Cinema

O Barco e o rio

As distâncias e seus encontros

Por Vitor Velloso

Durante o Festival de Gramado de 2020

O curta-metragem apresentado na 48ª Edição do Festival de Gramado “O Barco e o rio” de Bernardo Ale Abinader, é uma obra sintomática das produções contemporâneas brasileiras. Segue uma espécie de cartilha de apresentação da parcialidade em seu drama. A exposição escrita das partes, diz respeito diretamente aos vácuos que o filme propõe em suas narrativas, a ausência de respostas que dá em sua trama. Parte desse espaço pode ser compreendido através das reverberações de questões exteriores à obra, a realidade brasileira que se divide em torno de uma religiosidade, vontades humanas, o ócio, a sociedade e os “pecados” ditados por dogmas arcaicos.

As tentações são múltiplas, a inocuidade do subdesenvolvimento reside naquilo que é mais caro às desigualdades, seus direitos. Em tom reacionário, se defende a manutenção dessa disparidade, no contrário, Lukács expõe: Direitos iguais, resta a violência. Não que sua presença aqui seja absolutamente retumbante, pois há uma velação das características imediatas da mesma, elas são seccionadas à relações interpessoais. Aqui, o grande ponto reside na proposta material que o filme se distancia constantemente, o ambiente se dinamiza de maneira interna, não se compreende um contexto, muito menos a geograficidade política da questão. Há espaço apenas para a exposição, que sempre unilateral, torna-se alienante, pois não se finda em crítica, se fecha nos espaços políticos, geográficos, quiçá na psicogeografia que torna-se mambembe através da exposição de uma superficialidade.

Por fim, “O Barco e o rio” busca uma estrutura de complexidade na leitura de seu público, que apenas vê parte das possibilidades se esvaindo em consonância ao alienamento político. É uma pena recorrermos à produtividade mercadológica de internacionalização do cinema. Mas o curta possui o mérito de trabalhar sua linguagem no campo documental, tentando tornar híbrida parte de sua influência no cinema brasileiro contemporâneo e sua proposta homogeneizadora.

Anuncie no Vertentes do Cinema

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *