O Babado da Toinha

Dendê e seu brilho

Por Vitor Velloso

Durante o Cine Ceará

Brasilidade e dendê em consonância às belezas da rua. “O Babado da Toinha” de Sérgio Bloch é toró de Bonfim com o brilho de Oxum e a força de Ogum. Não por criar algo particularmente inovador ou que diferencie formalmente a obra de outros trabalhos, mas por compreender que sua noção de brasilidade não perpassa por reformulações na própria linguagem, sim na sinceridade de retratar um gesto tão cultural da Bahia.

Em primeira ordem, não há uma representação de uma realidade ou mesmo de um setor da sociedade, a preocupação da obra é retratar a vida da personagem e conceber que sua vida é seu trabalho, que seu trabalho é ajudar na manutenção de um dos alimentos mais caros à cultura nordestina, com fortes raízes religiosas. Então, se retomarmos brevemente a discussão iniciada em “Nazinha”, o debate em torno da cultura, a partir de uma análise materialista, uma tautologia, devemos compreender que o dendê possui uma multiplicidade na cultura brasileira que inclui a religião como questão basilar para sua força.

Desta forma, “O Babado da Toinha” busca nas raízes do projeto, uma forma de simbolizar como o Nordeste segue sendo a verdadeira frente da cultura brasileira, a partir de sua personagem central. Para isso, o filme não precisa de grandes formulações, apenas articula as falas da protagonista com a própria feitura do dendê, da colheita à venda. E por se ater ao que de fato importa para a estrutura do projeto, existe uma sinceridade que acaba saltando a tela, com a materialidade de um Brasil que deve ser vislumbrado e escutado, aprendendo e agindo, com fé.

Trailer

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

três × 3 =