Missão Perséfone

Vazio na Grandiosidade

Por Daniel Guimarães

Acreditar fielmente que está realizando uma obra de uma tremenda inteligência, que se torna necessário explicá-la didaticamente. Talvez esta seja a maior crítica ao cinema de Christopher Nolan (A Origem, Interestelar, Batman: O Cavaleiro das Trevas). Em alta pelo excelente “A Vida Invisível”, Karim Aïnouz se abre a receber a mesma análise em “Missão Perséfone”. Em um tema “direto ao ponto” e em alta na atualidade, o diretor opta por cercar seu filme por todo malabarismo da ficção científica que pode. Integra ao curta uma trilha sonora futurista semelhante ao cyberpunk, uma narração de instruções espaciais com retórica robotizadas e calculada, além de imagens contemplativas da natureza e do espaço.

No meio dessas convenções, “Missão Perséfone” parece impor uma grandiosidade que nunca se cumpre além da estética e proposta. Repleto de simbolismos, soa como uma forma pseudointelectual de elaborar a ideia de preservação e de recomeços na humanidade e em nosso planeta. O diretor, além disso, insere exposições para esclarecer, em texto ou em narração, o significado de suas imagens contemplativas. Entra no “pacote” de temas relevantes,  uma crítica inofensiva e banal ao “tempo das mercadorias”: o capitalismo. Frases de efeito metafórico, como: “a terra ainda é tóxica”, são encontradas em um filme que inegavelmente possui um apelo visual interessante, principalmente quando, em sua primeira parte, se filma a “superterra”.

Esta estética, porém, se encontra em um filme que deseja ser exageradamente inteligente, a qualquer custo. Acaba por se mostrar uma narrativa rasa, mesmo possuindo, visualmente, o potencial de diferentes sensações. O contemplativo da terra, nas praias, assume o melancólico e a “superterra”, em forte tom de vermelho, flerta com o terror espacial e futurista. A experiência em “Missão Perséfone” ganha valor na imagem, mas em articulação com a unidade narrativa do filme, jamais encontra uma sintonia de atmosfera, exposição e temas.

 

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