La Planta

420: O filme

Por Vitor Velloso

Durante a Mostra de São Paulo 2020

Documentário dirigido por Beto Brant, “La Planta” é um filme que desafia os dogmas conservadores da família tradicional cristã reacionária, não porque fala de um possível legalização da cannabis, mas porque vai de encontro aos dogmas arcaicos que pregam o absurdo, em defesa de um livro escrito no post-mortem do protagonista. O curioso é a defesa, não relatada em texto, de uma possibilidade de não uso de cannabis, pois aparentemente, para os reacionários de plantão (com o perdão da palavra), antes de Jesus, na escrita dos Dez Mandamentos em envio de deidade, uma palavra miúda era aplicada “Não fumarás maconha”. 

O média-metragem vai atrás de depoimentos e dados que comprovam os usos benéficos da cannabis, para além do fumo recreativo. Uma questão medicinal, de saúde pública, não de segurança. E neste aspecto o filme de Brant, consegue contornar parte das questões moralistas e conservadoras, para focar naquilo que lhe interessa, um debate crítico e sensato em torno de algo que se encontra ilícito no Brasil. Essa abordagem crítica dos possíveis usos para “La Planta” consegue articular em um filme de pouco mais de cinquenta minutos, argumentos bastante sólidos em torno de sua eficácia, sem apelar para a alienação do discurso desvirtuado do “sem danos”, pois reconhece problemas em sua utilização da maneira como é feita hoje e que é necessário avançar na ciência para melhorar sua aplicação, mas que o atraso absoluto está longe de ser científico. 

Assim, “La Planta” consegue traçar muito bem uma abordagem multifacetada de uma questão que é enfrentada de maneira tortuosa pela direita conservadora e “esquerda” liberal. Não à toa, o posicionamento do média é em prol da ciência e da saúde, não de uma pauta ideológica dogmática que irá desvirtuar o debate, por isso, consegue ser útil para os diversos pensamentos em torno da planta. 

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