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Joãosinho da Goméa – O Rei do Candomblé

A performance e a memória

Por Vitor Velloso

Durante o Festival de Gramado de 2020

É estonteante lembrar da criminalização religiosa, tão presente na moral contemporânea. “Joãosinho da Goméa – O Rei do Candomblé” vai buscar na imagem de arquivo e na performance, representar o personagem que dá título à obra. Aí reside a particularidade do curta-metragem, uma soma de dispositivos que buscam similaridade direta com “Alma no Olho” de Zózimo Bulbul. 

E aqui entra um resíduo drástico da subjetividade, um gosto em si. As escolhas, em um primeiro momento, soaram ricas do apanhado histórico, que ganha corpo com os artefatos apresentados posteriormente. Mas o encaminhamento cria um vácuo de encenação, pois há a necessidade de exposição conteudística, com grande recurso exterior à imagem, porém com pouca força nessa encenação. Existe uma falta de participação na gira, recursos que parecem se distanciar demais de seus objetos.

A opção de deixar a câmera fixa diante da performance é um misto de respeito com permissividade do passivo, pois nos momentos iniciais, há closes no sorriso, como em “Alma”, há cortes rápidos, mas retornamos a fixação pelo plano estático, com fundo neutro. Não há um movimento de dialética entre as particularidades do objeto cinematográfico, existe uma unilateralidade que acaba travando parte da energia proposta pela obra. Existe uma argumentação possível acerca da encenação direta. Uma compreensão absolutamente coerente ao pensarmos a “necessidade” de romper a misancene no cinema experimental, mas não enxergo possível tamanha catarse com a exposição apresentada. Mas, novamente, é absolutamente uma questão subjetiva. E nesse campo, o debate permanece aberto, e assim a crítica consegue caminhar. Sem dúvida, a proposição da quebra moralista utilizada nos minutos finais, dá um novo ar para “Joãosinho da Goméa – O Rei do Candomblé”.  

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