In Memoriam – O Roteiro do GravadorIn Memoriam - O Roteiro do Gravador

Resgatando memórias

Por Chris Raphael

Semana Cavídeo 2019

 

Falar cinema, respirar cinema, viver cinema. Tudo em nome da sétima arte e a partir dela, oxigenar nossas mentes. Este curta metragem, “In Memoriam – O Roteiro do Gravador” produzido pela Cavídeo em 2019, tem direção, roteiro e montagem de Sylvio Lanna e traz à tona os percursos e percalços da Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.

Em tom de documentário, Hernani Heffner nos explica que em 1955, a Cinemateca do MAM  início as suas atividades e em 1958 abriga o Primeiro Festival de Cinema Americano, evento esse importantíssimo para a ideia de memória do cinema que precisa ser preservada, no intuito conservar e apresentar esse passado para o público.

Lamentavelmente, esse patrimônio que já foi um considerado centro de resistência cultural nos tempos da ditadura, hoje padece de decadência e abandono. As imagens apresentadas na película mostram solidão dos vídeos arquivados, muitos em péssimo estado. “In Memoriam – O Roteiro do Gravador” é uma denúncia nada sutil sobre a morte de tudo, inclusive dos valores culturais. A sociedade parece não resistir ao novo e essa inevitabilidade castiga o que ficou para trás, relegando à poeira do tempo.

Sylvio Lanna e Hernani Heffner debatem sobre a constatação da dificuldade de encontrar um arquivo, visto que não existe um inventário completo  do material que se encontra na Cinemateca do MAN. Uma situação “surrealista”, na opinião de ambos. São as dificuldades encontradas para encontrar o arquivo desejado, uma vez que existe um pequeno número de funcionários para a demanda grande de produção. Então, no fundo, com ou sem memória, o cinema continua seguindo em frente.    

As imagens em preto e branco, garimpadas e trabalhadas nesta película são um alerta para os olhos mais atentos. Esquecer o caminho percorrido é uma falta grave, uma incongruência. Tamanha improbidade pode custar um alto preço pois, quando desconhecemos ou esquecemos o passado, perdemos a chance da aprendizagem. “In Memoriam – O Roteiro do Gravador” torna-se a memória da memória.

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