O Balanço e as Palmas do Vertentes do Cinema

Toda nova cobertura do Festival de Cannes, nosso site precisa planejar o que será essencial ou não e qual o caminho editorial. É uma expectativa, visto que mudanças são inevitáveis. Atrelado a isso, é também um processo físico, por estarmos falando de jornalista, que se apresenta socialmente como um ser humano, apesar de alguns fugirem da curva da lógica de tempo e espaço e se comportarem como robôs.

Este ano, o Festival de Cannes mudou sua estrutura. E os filmes foram na maioria das vezes simultâneos e exibidos junto ao público da gala. Assim, os críticos precisaram descobrir uma nova forma de cobertura, possibilitando assim, ampliar e incluir filmes da paralela Quinzena dos Realizadores, que recebe agora o prêmio do Vertentes do Cinema como a mostra mais interessante. E de “The Lighthouse”, de Robert Eggers. Sim, este talvez seja o novo “Projeto Flórida”, devido às filas intermináveis e altíssima cotação unânime. Não, não esqueci. Estava na sessão de “Dor e Glória”, de Pedro Almodóvar. Sim, eu sei. Próximo capítulo.

O Festival de Cannes 2019 conseguiu condensar muito bem o entretenimento glamour das celebridades. Teve “Rocketman”, de Dexter Fletcher, com Taron Egerton, que ficou no Hotel Carlton, e pessoas que ficaram próximas a seu quarto acordavam e dormiam com o ator cantando as músicas de Elton John, praticamente um “Rocketman”, a sequência.

Teve “Bacurau”, de Kleber Mendonça Filho; “Era uma Vez Em… Hollywood”, de Quentin Tarantino, que foi sim muito mimado. Teve Xavier Dolan e seu mundo egotrip de existir; teve Abdellatif Kechiche e seu filme de bate-bunda “Anitta” feelings, teve Maria Fernanda Cândida no novo Marco Bellocchio, teve encontro com Sylvester Stallone, Palma de Ouro honorária ao ator Alain Delon (e que contou com um protesto das mulheres do #MeToo), teve protesto-homenagem à favor das universidades públicas durante a gala do brasileiro “Sem Seu Sangue”, de Alice Furtado. Teve até um vitória imensa para o Brasil com “A Vida Invisível de Eurídice Gusmão”, de Karim Aïnouz, que venceu o Grande Prêmio do Júri na mostra Un Certain Regard.

Novidades e surpresas não acabam por aqui. Foram muitas. E neste último dia do festival, já com abstinência, aguardamos aqui em Cannes a premiação oficial da mostra competitiva a Palma de Ouro. Será que “Bacurau” leva?

“Toda remessa de uma Palma é única e maravilhosa. E eu poderia contar todos os momentos de cada ano. Quando uma Palma de Ouro é concedida a um grande mestre, como foi o caso de Malick, Haneke ou Polanski, é incrível porque temos a sensação de que os prêmios de Cannes acompanham a história. Espero que seja sempre esse graal que deixa os cineastas atordoados de desejo. Que continue a dar sua bênção ao talento, recompensando grandes artistas ou descobrindo quem serão os promissores cineastas de amanhã”, disse Thierry Frémaux, o diretor do festival.

Os premiados pelo Vertentes do Cinema

PALMA DE OURO: “Parasite”, de Bong Joon Ho

GRANDE PRÊMIO: “Era uma vez em… Hollywood”, de Quentin Tarantino

MENÇÃO HONROSA: “La Gomera”, de Corneliu Porumboiu

MELHOR DIREÇÃO: Pedro Almodóvar, por “Dor e Glória”

MELHOR ATRIZ: Ophélie Bau, por “Mektoub, My Love: Intermezzo”, de Abdellatif Kechiche

MELHOR ATOR: Leonardo DiCaprio, por “Era uma vez em… Hollywood”, de Quentin Tarantino; e Idir Ben Addi, por “O Jovem Ahmed”, de Jean-Pierre e Luc Dardenne

MELHOR ROTEIRO: “Il Traditore”, de Marco Bellocchio, e “It Must Be Heaven”, de Elia Suleiman

MELHOR FILME DO FESTIVAL: “Chambre 212”, de Christophe Honoré

FILME DO CORAÇÃO: “Rocketman”, de Dexter Fletcher

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