Drama Queen

Desespero em pixel

Por Vitor Velloso

Durante a Mostra Tiradentes SP 2021

“Drama Queen” de Gabriela Luíza é descrito como parte dos dilemas de uma diretora, que acabou acertando um filme-ensaio. O curta é uma compreensão de uma produção que se vê impedida pelo Brasil, a partir de uma “enxurrada tragicômica”. Em verdade, o projeto funciona como um expurgo particular diante da realidade nacional e da (im)possibilidade limitadoras da realidade diante dos indivíduos. 

As articulações funcionam como um desabafo entre o cansaço e o desespero. O título não mente, trata-se de uma forma de lidar com essa catástrofe neoliberal que assola o Brasil há anos, décadas. Contudo, sua inserção de humor acaba sendo estruturada a partir da multiplicidade formal, onde a paródia em torno do atual presidente, da pandemia e das desigualdades econômicas. A experiência é moldada por esses recortes e acaba funcionando muito bem por alguns momentos. Os trechos com inserções de videogame são particularmente divertidos e o dinamismo é versátil em disparar para horizontes múltiplos, sem perder o eixo norteador. 

O filme acaba cedendo a pequenas padronizações ensaísticas contemporâneas e possui trechos pouco convincentes, onde a transa com o vexame ocorre com menos rodeios do que gostaríamos. Ainda assim, o deboche constante vai somando uma estrutura onde “Drama Queen” se torna um projeto volátil, sem categorizações expositivas. Essa característica faz com que o espectador tenha dificuldade de saber onde começa o problema e onde termina o deboche. Mérito de uma obra que assim como o Brasil é natimorto em projeção de pixel.

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