De Vez Em Quando Eu Ardo

O cinema do andar de baixo

Por Vitor Velloso

Mostra de Cinema de Gostoso 2021

“De Vez Em Quando Eu Ardo” de Carlos Segundo é uma obra que busca na representação alguns campos de debate estético, sobretudo no corpo, o que essa simbiose criativa entre corpo e luz pode gerar. 

Está claro que a estrutura central do filme é direcionar uma negociação entre a performance e uma concepção quase estóica do espaço. A relação espaço-corpo é a dialética explorada na fotografia, onde essa formalização do processo assimilatório dos corpos é dada no tempo de exposição. Por esse caminho, “De Vez Em Quando Eu Ardo” flerta com algumas proposições curiosas de mise-en-scène, mas não consegue concretizar isso na imagem. O barato acaba perdendo força em tempos vazios e uma estrutura que não consegue embalar com a progressão. A linguagem parece temer demais os espaços que trabalha, respeitando a ponto de não conseguir reproduzir parte da ideia “transgressora” que é unir dois corpos em luz. Esse flerte admite o aparecimento de uma personagem que dialoga com frentes próximas de um ritual concebido em luz e movimento.

Muitas ideias e pouco frescor formal, faz com que o curta encerre sua projeção temendo a própria interpretação. O desenvolvimento parece fugir da própria verve basilar da fotografia e busca aparar arestas que formalizam uma obra pouco criativa. A “revelação” da obra e a simbiose ritualística que finda na grande “surpresa” parece uma conceituação pouco fértil e desajeitada. “De Vez Em Quando Eu Ardo” caminha na frente de um fantástico que tenta encontrar espaço em um suposto realismo, mas o negócio não funciona muito quando falta um impulso para acabar com alguns desajustes e impasses.

Trailer

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