De Dora, Por Sara

Tempos e Projeções

Por Vitor Velloso

Durante a Mostra de Tiradentes 2021

“De Dora, por Sara” de Sara Antunes é uma obra que sintetiza parte da produção brasileira contemporânea, como uma força de resistência que encontra ímpeto em projetos que fazem um movimento de retorno e abre um diálogo com o passado, projetando suas lutas para o futuro. 

Aqui, existe um recorte entre duas mulheres, Maria Auxiliadora Lara Barcelos e Clélia Lara Barcelos, que trocavam cartas da prisão e exílio. O curta busca uma representação contra o conservadorismo presente na política brasileira e acaba aliando-se à padronagem que formulou-se nos últimos anos. É o retrato de como essa luta por sobrevivência passa a ser assimilada pela memória e por uma contextualização da burguesia cinematográfica. 

“De Dora, por Sara” se encontra entre o campo do ensaio e da leitura poética. Consegue alguns bons registros que geram um bom diálogo da imagem com o texto, sem tornar o exercício enfadonho. O curta se torna síntese por articular a própria linguagem de maneira próxima aos demais filmes que se debruçam em leituras poéticas e ensaios, contudo imprime uma certa personalidade em como essa representação se dá em tela. 

É uma obra que finda sua forma em possíveis horizontalizações dessas duas narrativas, que encontram-se em vínculo direto com o Brasil Contemporâneo e o passado. Uma projeção em tela branca, encontrando esse espectro de luz.

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