Por Fabricio Duque

Wang Bing discute a questão intrínseca do documentário, que se apresenta como uma edição da condição individual humana (tendo comportamento ficcional. O docudrama utiliza-se da naturalidade extremada de ser e de agir, indicado pelos olhares  dos “personagens”, acostumados à câmera. Inferi-se que o retrato abordado pode ser visto como um big brother de uma família em uma comunidade interiorana paupérrima (quase nomâdes, com a diferença que não se mudam constantemente). Três crianças vivem sozinhas, sem escola, sem comida plastificada e vivem do alimento colhido e cozido, seguindo a máxima do Lovely Diary. O tédio, as picardias saudáveis, a necessidade de se trabalhar em casa constroem o dia-a-dia. Em determinado momento duas saem da caverna e conhecem a catequese do consumo capitalista e o individualismo da sociedade. Retornam com uma família e são felizes (ao seu jeito). Há referência aos filmes “Ninguém pode saber” (por causa do tema) e “No Meio do Mundo” (pela estética fílmica). 

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