Crítica: Filho de Saul

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Por Fabricio Duque
Direto do Festival de Cannes 2015

 

“Saul Fia”, ou “Son of Saul”, ou “O Filho de Saul”, representa a estreia na direção do húngaro László Nemes e já “chega chegando” ao imprimir um estilo corajoso, fugindo dos gatilhos comuns e mantendo a estrutura escolhida até o final, que é especificamente pela presença da câmera subjetiva, próxima em super close up, criando a sensação de que nós espectadores também somos prisioneiros cúmplices e observadores prestes à execução fulminante. É sinestésico porque a tensão é tamanha que esquecemos que estamos no cinema e que precisamos respirar para viver. A fotografia fora de foco induz a um possível problema projecional, mas não, na verdade o conceito estético é construído desde a primeira cena, que se apresenta estendida, como se quase todo o longa-metragem fosse em plano sequência sem cortes, salvo exceções. Aos poucos, pela contemplação ao personagem, os elementos narrativos são introduzidos. Campo de concentração, gás, judeus que também “funcionam” como guardas. São máquinas, sem emoção, recurso primordial à sobrevivência. Um explícito filme de gênero ator, que em um surto de humanidade, o protagonista tenta salvar do “inferno” nem que seja uma alma. A tela quadrada retrata o passado, como um arquivo nostálgico vivo. A sorte do “salvador” é tão grande, que tampouco Rambo conseguiria um resultado positivo. Mas não é manipulador. E sim de liberdade poética, até porque é baseado em fatos passados. No prólogo, sente-se livre. O que para os outros talvez seja apenas um fim, para ele é a limpeza da própria alma.
Realizada inicialmente em 15/05/2015 e complementada em 27/05/2015.

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