Sabor da Vida

Espontaneidade traduzindo complexidades

Por Fabricio Duque

Durante do Festival de Cannes 2015

Sabor da Vida

“Sabor da Vida”, o novo filme da diretora japonesa Naomi Kawase (de “Still de Water”), foi o escolhido para a sessão de abertura da mostra Un Certain Regard do Festival de Cannes 2015. E corrobora seu estilo característico de humanizar a doença, transformando estágios vitimados em uma poética realidade naturalista. Aqui, a cineasta não deixa de lado a personificação da natureza, tampouco a velhice, que é vista com resignação tanto religiosa quanto inevitável.

A personagem principal quer continuar se sentindo útil. É sentimental, mas sem ser clichê e sem ser piegas, incluindo uma verdadeira confissão da inveja da juventude. É sinestésico porque o espectador vivencia a emoção. Pode ser traduzido como uma critica à futilidade do tempo moderno que “mata” a simplicidade e a ideia de que “cada um tem significado em nossas vidas”.

Talvez “Sabor da Vida” seja o filme menos passional e mais maduro de Naomi. Usando a extrema espontaneidade para traduzir complexidades.

“Durante as filmagens, o realismo é minha prioridade, por isso pedi aos atores que realmente vivessem a vida dos personagens que interpretavam. Por exemplo, pedi a Masatoshi Nagase, que interpreta Sentaro, que experimentasse a vida como gerente da padaria Doraharu e vendesse ele mesmo os doces dorayaki para clientes reais que viessem comprá-los. Kyara Uchida, que interpreta Wakana, concordou em morar em um alojamento social durante as filmagens. Já Kirin Kiki, que é Tokue, aprendeu a fazer “an”, a famosa pasta de feijão vermelho, e continuou até experimentar a paixão e o entusiasmo de um verdadeiro mestre padeiro. Os personagens tornaram-se assim autênticos. A equipe técnica fez todo o possível para não se comportar como se estivessem em um set de filmagem – fiz apenas um sinal para que soubessem quando começar a filmar, sem dizer “Câmera, ação”. Por isso, ao longo das filmagens, os atores atuavam sem saber se estavam sendo filmados ou não”, finaliza Naomi Kawase em Cannes.

4Nota do Crítico51

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